domingo, maio 26, 2024
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20 pontos do manejo Felino que você deve saber

Gatos devem ter os pelos escovados semanalmente quando têm pelo curto ou duas vezes por semana quando têm pelo longo: nas épocas de muda a escovação tem que ser diária – Foto: fotostok_pdv/iStockphoto.com

Sua equipe de vendas precisa entender sobre a espécie que mais cresce nos lares brasileiros

Para atender o dono de gato é preciso conhecer as particularidades da espécie. “Muitos produtos são de- senvolvidos para atender às necessi- dades comportamentais dos felinos, porém outros itens agradam mais aos olhos dos tutores do que dos animais”, revela a médica-veterinária com espe- cialização em Medicina Felina An- dréa Alves Pereira, de Campinas-SP.

Veja o que é preciso ter em mente na hora de orientar o seu cliente gateiro.

1. SEMPRE! CRIAÇÃO INDOOR,

Gatos não devem ter acesso à rua. A criação indoor é a mais segura para a espécie. Desse modo é possível evitar a transmissão de doenças virais como imunodeficiência viral felina e a temida Felv (leucemia viral felina), sem falar de acidentes como quedas de árvores, brigas, atropelamentos, maus-tratos, entre outros infortúnios.

2. ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL

Quanto mais gatos uma pessoa tiver, maior será a necessidade de enriquecimento ambiental. Adquirir brinquedos atrativos e interativos, que façam barulhos e tenham penas, bolinhas com petiscos ou catnip são algumas opções (veja mais no item Brinquedos). Mesmo que o pet seja mais preguiçoso, Laila Massad Ribas, veterinária especializada em felinos, diz que essas medidas são fundamentais para minimizar estresse, evitar brigas em casas com mais de um indivíduo, agressividade e depressão nos gatos. “O enriquecimento do am- biente pode ser instalações de prate- leiras, tocas e arranhadores pela casa. Apenas deixar brinquedos espalhados pelo chão não é suficiente”, alerta.

3.CASTRAÇÃO MAIS

A castração de felinos também é uma necessidade. “Manter um macho não castrado pode levar a problemas comportamentais, como marcação de território com urina. Já nas fêmeas, o cio pode prejudicar o sistema imuno- lógico, visto que a gata pode se estressar, vocalizar e sentir necessidade de sair para acasalar”, descreve Walde- mar Tavares, veterinário e sócio da Clínica The Cat From Ipanema. “Além disso, o surgimento de tumores e pro- blemas reprodutivos é evitado com a cirurgia de castração”, diz.

4. PERIODICIADE DAS CONSULTA

É melhor prevenir do que re- mediar. Porém, segundo Waldemar, tutores acabam levando seus animais para consultas quando precisam vacinar ou já apresentam sinais graves de alguma complicação. “Com o avanço da Medicina Veterinária, os exames são capazes de detectar doenças de forma precoce. Então, levá-los para exames semestrais ou no mínimo anuais é imprescindível”, alerta.

5. ALIMENTAÇÃO BALANCEADA

Gatos precisam de uma dieta rica capaz de suprir todas as suas necessidades nutricionais. “É importante ressaltar que a alimentação com ração seca super premium ainda é o alimento mais balanceado em nutrientes e proteínas para gatos. Minha recomendação é sempre o fornecimento de uma ração seca de boa qualidade, nas quantidades recomendadas no rótulo da ração”, orienta Waldemar. 

Para Laila, a dieta do pet deve ter um equilíbrio. “A dieta estritamente com ração seca pode levar o gato ao sobrepeso e problemas urinários por pouca ingestão de água, por outro lado a dieta estritamente úmida, seja com sachês, latinhas ou dieta caseira, tem custo elevado e manejo difícil, pois exige diversas porções ao dia, o que se torna complicado para quem passa o dia fora de casa. Por isso equilibre as duas dietas”, recomenda. 

6. ARRANHADORES

Esse acessório é fundamental para os gatos. O ato da arranhadura é um comportamento natural da espécie de demarcação territorial. Assim, o felino deve ser sempre estimulado a usá-lo e o ambiente onde vive o gatinho deve conter vários desses acessórios espalhados pela casa. A veterinária com especialização em Medicina Felina Andréa Alves Pereira, recomenda que sejam posicionados nos pontos onde o felino poderia arranhar algum móvel ou em locais onde ele já gosta de arranhar. 

7. BRINQUEDOS

A função deles é estimular o comportamento natural de caça. Alguns exemplos são os ratinhos, varinhas com penas nas pontas, toquinhas, entre outros. Aliás, muitos desses itens permitem que o tutor tenha um momento de diversão com o seu bichano. “Até o laser é uma ótima diversão, mas deve-se ter algum cuidado ao utilizá-lo para não apontar o feixe de luz diretamente nos olhos do animal e para estimular o gato também com outros brinquedos que sirvam de ‘recompensa’ da caça, pois o laser sozinho pode gerar frustação já que o animal persegue o ponto, mas nunca concretiza seu objetivo”, alerta Andréa. É importante que seja feito um rodízio de brinquedos para que não fique monótono para ele. 

8. BEBEDOUROS E FONTES

Itens muito indicados para gatos, que naturalmente bebem pouca água, pois a água em movimento é muito atrativa para o felino. “A colocação de fontes em pontos estratégicos e agradáveis para o gato é um estímulo positivo para a ingestão hídrica. Mantenha a água sempre limpa e a fonte higienizada”, ensina Andréa.

9. CAIXA DE TRANSPORTE

Indispensável para o transporte seguro dos felinos, a caixa de transporte deve fazer parte da rotina do gato desde filhote para que ele se habitue a ela. O acessório pode fazer parte dos itens da casa para que o felino não crie aversão a ela. “Deixe sempre um paninho ou brinquedo com o cheiro do bichano dentro dela para que ele se sinta seguro quando usá-la. O tamanho ideal deve ser considerado de modo que o gato possa ficar em pé e virar-se dentro da caixa”, ensina Andréa. Ainda segundo ela, modelos que facilitam sua abertura, como aquelas com presilhas laterais, são uma boa pedida, pois permitem que o gato seja avaliado dentro de sua própria caixa durante suas visitas ao veterinário.

10. TOCAS

Ter tocas ou outros tipos de abrigos espalhados pela casa também é importante para que sirvam como esconderijo. A quantidade de tocas em uma casa vai depender de cada caso, pois é preciso avaliar as rotas de fuga para o gato no ambiente. “Em cômodos com maior circulação de pessoas, como a sala, ter pelo menos uma é interessante”, recomenda Andréa. E nada de tirar o gato de lá! Caso contrário ele não terá mais segurança nesse ponto do território. 

11. COMEDOUROS

Os mais indicados para gatos são os mais largos, de modo que suas vibrissas (bigodes) não toquem na borda do objeto.  Os bigodes têm função tátil para o felino e se o comedouro não for adequado, pode estimulá-lo negativamente no momento da alimentação. “Em casas com mais de um gato, o ideal é que se tenha mais de um comedouro disponível e que o tutor observe que locais da casa onde cada animal se sente mais confortável para alimentar-se para que não haja desequilíbrios entre os animais na ingestão dos alimentos”, alerta Andréa. 

12. LITEIRAS FECHADAS

Podem ser uma boa pedida para minimizar odores no ambiente ou também para felinos que espalham um monte de areia ao enterrar seus dejetos. O fato de serem fechadas não modifica a orientação de higiene constante da liteira, um item indispensáveis, ressalta Andréia. 

13. CAMINHAS

O uso desse acessório é muito individual, pois é sempre o próprio gato quem elege os locais mais seguros e confortáveis do ambiente para seu momento de descanso. Assim, esse acessório não é muito procurado pelos gateiros. “Porém, colocar caminhas dentro de toquinhas, pode agradar ao bichano”, aponta Andréa. 

14. CORTAR DE UNHAS E ESCOVAS

A escovação regular dos gatos é fundamental para evitar a formação de tricobezoares (as famosas bolas de pelos). Então, acostumá-los a esse momento e manter uma rotina de escovação só traz benefícios ao gato. Já o cortador de unhas deve ser específico para gatos, para facilitar o uso. Além disso, é preciso ter a orientação correta de como cortar a unha do gato, para evitar arranhões ou ainda não provocar sangramentos no pet. 

15. CATNIP (A ERVADE GATO) 

Essa plantinha da família da hortelã não faz mal para os gatos nem para as pessoas. Ela estimula os gatos agindo como um feromônio, deixando-os mais alegres. Contudo, não são todos os felinos que são estimulados por ela. A catnip pode ser usada para atrair os gatinhos para os brinquedos e para deixá-los relaxados, então não tem contraindicação. Estima-se que 20% ou 30% dos bichanos não são afetados pelo catnip.  

16. GRAMINHAS PARA GATO

Vez ou outra, os gatos sempre procuram um verdinho para brincar ou mastigar, então essas graminhas são uma boa pedida para evitar que eles sejam atraídos para outras plantas que, muitas vezes, podem ser tóxicas.

17. COLEIRAS PARA GATOS

Caso o tutor queira escolher uma coleira para seu gatinho, alerte-o que as coleiras com guizos não são muito recomendadas por veterinários. “O gato, por ser uma espécie de comportamento predador, caminha sem fazer barulho, adora esconderijos e prefere passar despercebido nos ambientes. O barulho constante do guizo vai contra sua natureza e, por isso, pode estressá-lo”, diz Andréa.

18. BANHO EM GATOS

Se gatos forem acostumados desde muito cedo, podem passar a frequentar o banho e tosa. “Os tutores devem acostumar os filhotes com pequenos ruídos, barulho de água e secador, pois assim, quando o levarem ao pet shop, todos os ruídos a que serão expostos já não serão novidade”, conta Luciano Ribeiro, esteticista animal especializado em pelagem de felinos, de São Paulo-SP. Outro motivo que pode fazer com que o gato acabe por não gostar de água é o fato de que o próprio humano, ao pensar que gatos não gostam de água, não permite que o felino tenha contato progressivo com o líquido do ambiente. E pior, quando decide dar banho no gato, o faz de forma rápida e abrupta, causando desconforto ao bichano. “Com essa postura o animal passa a ter medo de água, de fato”, lamenta Carlos C. Alberts, professor e pesquisador do LEvEtho, da Unesp.

19. ESCOVAÇÃO: UM RITUAL DIÁRIO

A escovação não contribui apenas para a beleza do animal, ela preserva a saúde do felino, além de estreitar o vínculo entre pet e tutor. Escovar os pelos periodicamente auxilia na remoção da pelagem velha e impede que o felino ingira os pelos, evitando, assim, a formação de bolas de pelo. Os pets de pelagem longa e semilonga precisam de cuidados redobrados. “Durante a mudança de pelo, as escovadas podem – e devem – ser diárias, com auxílio de uma rasqueadeira de cerdas de metal, que irá retirar os pelos e células mortas do animal”, recomenda Luciano. Já nos gatos com pelo mais curto, o trato é feito com escova de cerdas mais unidas para pegar com facilidade o pelo. 

20. MANEJO DA LITEIRA

Existem substratos formulados com base em diversos materiais desde argila até os biodegradáveis feitos de madeira reflorestada, trigo e mandioca. A melhor areia é aquela à qual o gato se adapta e que agrada ao dono na hora da higienização. Por isso vale a pena ele testar diversas marcas até achar a ideal. Para a higiene da caixa, para quem tem um gato, é indicado a troca da areia e lavagem a cada 15 dias. Para multiplos animais essa limpeza deve ser semanal. Os dejetos devem ser retirados duas vezes ao dia. 


Por colaborador:

ANDRÉA ALVES PEREIRA
Mestranda Saúde Coletiva – FCM Unicamp.
Pós-graduação lato sensu em Medicina de Felinos (Anclivepa/SP).
Atendimento clínico de felinos em Campinas-SP e região – www.felinosecia.com.br

CARLOS C. ALBERTS
Professor e pesquisador do Laboratório de Evolução e Etologia (LEvEtho), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

LUCIANO RIBEIRO
Groomer de gatos, oito vezes campeão mundial e com mais de 370 Best in Shows de gatos preparados por ele.

LAILA MASSAD RIBAS
Médica veterinária especializada em Medicina Felina e autora do Portal Medicina Felina. Mestre e doutora pela Universidade de São Paulo e pós-doutoranda pela UNESP. www.portalmedicinafelina.com.br

WALDEMAR TAVARES
Mestrando em diagnóstico avançado em Medicina Veterinária pela USS/RJ, membro da Associação Americana de Medicina Felina (AAFP) e da Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM). Sócio-proprietário da clínica The Cat From Ipanema, no Rio de Janeiro-RJ