quarta-feira, abril 17, 2024
DestaqueNegócios

SUPERAÇÃO: CASOS REAIS DO MERCADO PET

Inspire-se na história de vida de alguns players do segmento

Imagem de svklimkin por Pixabay

São muitas as histórias de vida e de superação que escutamos nos bastidores do mercado pet. A cada encontro que temos com clientes, profissionais e parceiros escutamos trajetórias incríveis que vale a pena compartilhar. Para esta reportagem, escolhemos três delas.

LACINHOS COM AMOR

A empresária Cirlei Ribeiro Cunha é natural de Goioerê-PR, porém mora em São Paulo desde os 4 anos de idade. Antes de entrar no mercado pet, ela cuidava de seus filhos e de seus cães em casa. “Tinha um canil e cheguei a criar Pastor Alemão e Old Sheep Dog. Para mim foi um privilégio enorme conseguir tornar o meu amor pelos pets em um negócio. É um prazer e alegria conviver, aprender, suprir necessidades e respeitá-los cada dia mais”, aponta Cirlei, que começou sua empresa de forma informal nos anos 1990, como uma forma de ajudar no orçamento familiar e por perceber a carência de fornecedores de produtos pet no banho e tosa onde levava seus cães. “Eles sempre se desculpavam por não terem lacinhos disponíveis. Então, sem recursos iniciei manualmente a fabricação dos itens, e conforme as vendas foram aumentando ano a ano, contratamos a primeira funcionária, e aos poucos fomos crescendo neste mercado. Com a grande aceitação dos meus itens artesanais, e posteriormente um modelo de roupinha e colchonete, o crescimento da demanda ano a ano foi tamanha que se tornou necessária a fundação de nossa empresa Bichinho Chic em 1999”, explica Cirlei, que hoje, confecciona camas, roupas e acessórios para atender lojas de pet shop de todo Brasil. “A Bichinho Chic foi a minha primeira conquista, que possibilitou minha inserção no mercado de trabalho. Era algo que eu desejava muito, e desde então me trouxe crescimento profissional. Eu me descobri neste mercado, atendendo diretamente lojistas de São Paulo, interior, litoral, e até outros estados como Santa Catarina e Rio de Janeiro. Como aumento da demanda fizemos a contratação de vendedores para todos os estados do Brasil”, finaliza Cirlei.

Foto: Arquivo Pessoal
Cirlei Ribeiro Cunha fundou a Bichinho Chic fabricando lacinhos de forma
artesanal

VONTADE DE SER GROOMER

Sidirley Oliveira da Silva, de Manaus, trabalha na cinofilia há mais de 30 anos, como handler e adestrador. Porém, há 6 anos, decidiu se tornar groomer. “Enfrentei muitos desafios nessa trajetória, como me aceitarem como groomer. Por ser adestrador até hoje não me aceitam, mas meus troféus e conquistas em competições dizem o contrário. Tudo começou com minha vontade de competir no Groom Brasil”, aponta Sidirley, que foi campeão do concurso Groom Brasil em 2018, na categoria Novos Talentos. “O ano em que venci no Groom Brasil, foi meu primeiro ano atuando como groomer. Também venci na 2° Copa Bichon Frisé neste mesmo ano, e fiz o meu primeiro campeonato de tosa em Manaus, o Amazon Groom. Cheguei chegando no mercado para fazer a diferença e, até hoje, os mais antigos ainda não me reconhecem como groomer por ter tido muitas conquistas em pouquíssimo tempo”, aponta Sidirley, que é dono da Amazon Groom pet School. “O fato de eu ter uma deficiência física me motiva ainda mais para mostrar que sou capaz de tudo. Ao abrir minha escola tive reconhecimento regional e nacional. Agora, pretendo levar meu trabalho para fora do Brasil”, finaliza.

Foto: Arquivo Pessoal
Sidirley Oliveira da Silva está na cinofilia há mais de 30 anos e enfrentou
dificuldades quando se tornou groomer

CASAL EMPREENDEDOR

A ideia do casal Claudino José Portelles e Rosineiva Summach, de Paraíso-SC, em fundar a empresa Beethoven Agropet em 2010 surgiu a partir de uma casualidade. Na época, nem eram casados, mas Claudino, ou Dino, como é conhecido, construiu uma casinha de madeira para o pet de Rosineiva, um Poodle chamado Beethoven, que acabou se tornando a mascote da empresa que leva o seu nome. “Na época, Dino trabalhava em uma fábrica de esquadrias em São Miguel do Oeste-SC, onde levava para casa sobras de madeiras que não mais eram aproveitadas na fábrica para sua mãe, que utilizava no fogão à lenha. Quando vi estas sobras, tive a ideia de fazermos uma casinha para o meu pet. Depois de várias semanas, a casinha foi finalizada e Dino teve a ideia de levá-la em um pet shop para ver se tinham interesse em comprá-la. Para sua surpresa, o dono do pet shop pediu 3 casinhas daquela”, conta Rosineiva. Com o sucesso dessa casinha, Dino passou a oferecê-la para outras lojas da cidade, percebendo uma oportunidade neste segmento. “Nesta época eu estava desempregada, cuidando de minha mãe que estava enferma, e produzia estas casinhas informalmente para atender estes pet shops enquanto Dino continuava a trabalhar na fábrica de esquadrias”, compartilha Rosineiva. Como o produto era diferenciado, chamou a atenção de uma grande Distribuidora do Rio Grande do Sul onde fecharam uma parceria que se mantém até hoje. “De ali em diante começavamos a nos organizar para sair do informal e nos tornamos uma ME. Como tínhamos poucos recursos, procuramos apoio, e por meio de um vereador, conseguimos o incentivo que precisávamos em Paraíso-SC”, conta Rosineiva.

Fotos: Arquivo Pessoal
Rosineiva Summach e Claudino José Portelles com o Poodle Beethoven

E pensar que nada disso estava previsto, quando Dino começou a trabalhar de gari aos 15 anos de idade para ajudar a pagar as contas da casa dos seus pais após a morte de sua irmã mais velha. Deixou os estudos por necessidade, mas tudo mudou quando conseguiu entrar em uma fábrica de móveis planejados, pois sempre teve o sonho em trabalhar com madeira. “Ali ele teve a oportunidade de aprender. Manteve-se por lá por muitos anos até ir para seu último emprego de onde saiu para abrir seu próprio negócio”, aponta Rosineiva. Ao passar dos anos, viram a necessidade de lançar outros produtos com a marca Beethoven Agropet, para que pudessem atender a necessidade do comércio, como produtos para pássaros e apicultura, e não pararam de crescer. Beethoven, a grande inspiração ao empreendimento, faleceu em dezembro de 2022 com 17 anos e 8 meses. Mas o negócio que ele inspirou continua firme e forte. “Somos profissionais comprometidos, motivados e amamos o que fazemos. A satisfação dos nossos clientes é o incentivo que nos faz buscar melhorar sempre”, finaliza Rosineiva.

Por Samia Malas