quarta-feira, abril 17, 2024
Caderno RegionalDestaque

CENTRO-OESTE: MERCADO EM CONSTANTE CRESCIMENTO

Players traçam um panorama do mercado pet e vet dessa região, que abriga a capital do país e se destaca por ter ligação com demais estados brasileiros

Foto: VelhoJunior/iStock

Uma das grandes produtoras agrícolas e a maior criadora de gado no Brasil, a região Centro-Oeste abriga os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Faz fronteira com dois países sul-americanos, Bolívia e Paraguai, e sua posição central é a única que permite ligação de fronteira com todas as outras regiões brasileiras.
Embora seja uma das menos povoadas do país, é a segunda maior em extensão territorial e tem grandes centros industriais em cidades como Anápolis, Aparecida de Goiânia, Goiânia, Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá. Já Brasília-DF, a capital do nosso país, possui a maior densidade demográfica da região e um dos maiores PIB’s percapta do Brasil.

“Temos lojas bonitas, organizadas e
competitivas na região”
aponta Luigi Durso,
da Dog in Box Pet Center


Luigi Durso, proprietário das 7 lojas Dog in Box Pet Center, distribuídas nas cidades de Campo Grande-MS, Dourados-MS e Três Lagoas-MS, avalia o mercado pet do estado do Mato Grosso do Sul como bastante profissional e muito concorrido, também maduro e de alta qualidade. “Temos lojas bonitas, organizadas e competitivas na região. Um mercado que olha sempre para frente e que está no tempo dos acontecimentos e se preparando para o futuro do mercado pet”, acrescenta o empresário.
Segundo Janne Dias Lourenço de Andrade, diretora da Profissionau, de Goiânia-GO, que distribui diversas marcas do segmento de banho e tosa a maioria das empresas da região atuam, normalmente, com alimento, acessórios e serviços de banho e tosa.

“Temos dificuldade em achar profissionais para
atuar nesta área de estética animal”
diz Janne Dias Lourenço
de Andrade, da Profissionau

André Luís Rodrigues Torres Moura é sócio proprietário da loja Fish in a Box Aquários, de Brasília–DF, especializada e aquários marinhos e água doce. Para ele, o mercado de aquarismo é relativamente novo na região, porém diferenciado para quem trabalha duro. “Aqui é preciso ter qualidade no serviço, ser referência no seu nicho e ter conteúdo. O aquarista está sempre procurando informações e novidades”, revela.

“Aqui é preciso ter qualidade no serviço,
ser referência no seu nicho e ter conteúdo. O
aquarista está sempre procurando informações
e novidades”
diz André Luís Rodrigues
Torres Moura, da Fish in a Box Aquários

Aquarista há 11 anos, Breiner Nascimento Guedes, biólogo da Oceano Aquários, de Goiânia-GO, aponta o mercado goiano como dotado de grande potencial. “Porém, o aquarista goiano e brasileiro em geral não tem muito conhecimento em questão de biologia, tecnologia em equipamentos, mídias, então, basicamente, o aquarista não estuda sobreo hobby. Temos muito por aqui o aquarista que procura aquários mais fáceis de se cuidar, de kinguio, acará–bandeira. Mesmo que há um grupo seleto que busca por aquários diferenciados, com peixes raros, jumbo etc.”, revela Breiner. “Para se manter competitivo é preciso entregar qualidade. Somos uma das únicas empresas da região que consegue entregar construção e execução de projetos, temos vidraçaria própria com vidraceiro do ramo, atendemos projetos bem particulares, com técnicas de produção bem específicas, criadas aqui e desenvolvidas por nós”, acrescenta o biólogo.

“Para se manter competitivo é preciso
entregar qualidade”
diz Breiner Nascimento
Guedes, da Oceano Aquários

Dra. Karolina Vitorino é bióloga, médica-veterinária especializada em Clínica e Cirurgia de Animais Silvestres e Pets Exóticos e proprietária da clínica Mundo Silvestre, de Brasília-DF. Segundo ela, os mercados pet e vet são muito amplos e estão em constante crescimento. “As pessoas estão buscando, cada vez mais, por pets não convencionais, devido ao ritmo de vida que levam. Por exemplo, tenho clientes que trabalham o dia inteiro e acabam buscando por animais com hábitos noturnos, como coelhos e roedores. A medicina veterinária desse segmento de silvestres e exóticos está evoluindo, com maior número de pós-graduações e de profissionais que buscam por mais conhecimento, não só no Centro-Oeste, mas no Brasil todo”, afirma. Ainda segundo Karolina, o fato de estarem localizados numa região central, na capital do país, favorece para que os clientes tenham acesso e consigam chegar até a clínica. “O ideal era que tivessem clínicas especializadas em todas as regiões, mas infelizmente isso não acontece. Então, o fato de estarmos localizados em uma cidade com boa estrutura, com nível socioeconômico alto, onde as pessoas buscam conhecimento e cuidados como animal, facilita para que a empresa possa atuar nessa área de silvestres e exóticos. E os animais são os maiores beneficiados, pois têm o suporte de um profissional qualificado para garantir a sua saúde e bem-estar”, revela a veterinária, cuja maior demanda diária é pela parte de clínica de aves. “As pessoas criam muito mais aves do que antigamente, como papagaios, ring necks, periquitos, calopsitas, ou seja, pscitacídios principalmente, mas também aves domésticas como galo, pato, galinha, marreco, têm sido criados como pets e seus tutores têm tido maior responsabilidade com o manejo destes animais”, acrescenta Karolina.

“O fato de estarmos localizados em uma cidade com boa estrutura, com nível socioeconômico
alto, onde as pessoas buscam conhecimento e cuidados com o animal, facilita para que a empresa
possa atuar nessa área de silvestres e exóticos”
– Dra. Karolina Vitorino, da Mundo Silvestre

DIFICULDADES

Janne aponta a dificuldade em achar profissionais para atuar nesta área de estética animal. “Um dos pontos fortes do nosso mercado é que ele cresce mesmo diante das dificuldades da economia. Porém, percebi que houve um declínio nos últimos anos, pois, a maioria dos donos de pets shops não têm organização financeira para abertura de um negócio”, opina Janne.
Karolina não considera o mercado de aves e exóticos competitivo ainda em Brasília, pois não há muitas clínicas especializadas e tantos profissionais capacitados como em São Paulo, por exemplo. “Porém, uma dificuldade que temos é encontrar alguns produtos para esses pets não convencionais, que não são acessíveis, pois algumas empresas não entregam aqui na região. A maioria dos produtos que usamos ou vêm de fora do Brasil ou de São Paulo”, aponta.
Como em todos os estados brasileiros, Luigi aponta as barreiras tributárias como uma grande dificuldade. “Elas fazem com que os produtos cheguem mais caros no estado e dificulta a competitividade. A logística e distâncias também são fatores desfavoráveis.
Crescemos 23% a menos na pandemia, porém foi um crescimento considerável”, diz. Luigi também aponta uma certa estagnação do mercado e em relação a distribuidores. “Na região temos todo tipo de empresas, porém não possuímos indústria, tudo passa por distribuição de todos os setores e a cadeia está sentido muito a inflação. Porém, nosso plano de expansão está a todo vapor. Inauguramos duas novas lojas ano passado”, diz.
André também vê a distância dos grandes centros como uma dificuldade. “Apesar de Brasília ser uma cidade grande, o consumo não é gigantesco como em outras capitais. Como estamos longe dos grandes centros de distribuição tudo demora a chegar e o custo é sempre mais elevado pelo valor do frete e encargos de transporte”, aponta.
Breiner aponta como dificuldades a questão de fornecedores. “Dá muito trabalho trazer espécies raras de peixes para cá e a concorrência do comércio de peixes na região é bem grande”, afirma o biólogo.

TENDÊNCIAS

Luigi aponta que a região segue as tendências nacionais no consumo de produtos, que estão cada vez mais elaborados, com uma nutrição mais natural, brinquedos modernos e interativos e serviços muito qualificados e de ótima qualidade. “Não esquecendo do fator preço que hoje tem que estar muito bem equalizado, pois os consumidores passaram a se preocupar mais e pagar pelo justo”, acrescenta. “É preciso se manter sempre alerta a inovações, antecipar-se ao mercado e buscar de forma contínua por inovação tecnológica, melhorias internas, em manter a equipe motivada e à prestação de serviços com qualidade gerando a confiança dos nossos clientes”, finaliza Luigi.
Já Karolina aponta que um serviço que tem tido grande demanda é o de hotel para animais silvestres legalizados. “Oferecemos ambiente adaptado à cada espécie que vai ser hospedada. Embora seja sazonal, esse serviço de hotel tem crescido”, compartilha.

Por Samia Malas