quarta-feira, abril 17, 2024
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CUIDADOS PARA VENDER ALIMENTOS PARA AVES NO PET SHOP

O produto é líder de vendas nas lojas, mas é preciso algumas precauções para que a venda seja correta e não prejudique os pets

Foto: Andrey Sayfutdinov/iStock

Vender alimentos para tutores de cães e gatos ainda é um desafio nos petshops, pela grande variedade de tipos de rações existentes nas gôndolas das lojas. E os alimentos para aves? É um desafio ainda maior!
Segundo o Dr. Felipe Bath, do Hospital Birds e Cia, do Rio de Janeiro-RJ, antes de tudo, para vender este tipo de produto, o pet shop precisa cumprir a legislação. “O lojista precisa seguir o alvará, que deve ser condizente com a seu ramo de atividade”, diz. Em seguida, deve haver uma preocupação com a forma que esse alimento será armazenado e exposto na loja. “É preciso respeitar a temperatura e a umidade desse alimento. Então, o acondicionamento é importante. Ele não pode ficar em contato com o chão e nem na parede. Tem que permanecer em pellets de plástico (não de madeira), há pelo menos 10 cm do chão. Não se pode furar a sacaria, então sacos grandes não podem ser perfurados para tirar o ar e alinhar a ração. Isso é um erro, pois acaba favorecendo a entrada de micro-organismos, insetos etc.”, lista o médico-veterinário, que ainda ressalta a importância de se realizar o controle de pragas e roedores de forma periódica, conforme exige a Vigilância Sanitária.

TIPOS DE ALIMENTOS

Ainda segundo Felipe, os alimentos para aves se dividem em três grandes grupos: as rações extrusadas, o mix de sementes (como de girassol e alpiste) e as farinhadas. “Os alimentos para os psitacídeos correspondem a mais de 80% desse mundo pet. Porém, temos diversas rações comerciais desenvolvidas para muitas outras espécies (passeriformes, ranfastídeos e columbiformes) e por diferentes fabricantes”, aponta. “Lembrando que a dieta de uma ave, como um todo, não se resume ao que o tutor vai comprar no pet shop, pois é muito mais complexa e tem que incluir frutas, legumes e verduras. Então, o conhecimento do vendedor sobre a espécie é fundamental, para que ele possa dar uma orientação mais completa ao cliente”, acrescenta o veterinário.
Dr. Felipe destaca ainda que frutas, verduras e legumes não são petiscos, são a base da dieta de muitas espécies. Mas é preciso conhecimento para saber qual ave pode comer o que. “Existem itens como alface, que causa o aumento de motilidade intestinal, do abacate, que contém muita gordura, a semente do tomate, que pode causar insuficiência renal ou a semente da maçã, que é tóxica (possui cianureto) e pode causar insuficiência cardíaca. São exemplos de ingredientes que não recomendamos dar para aves, pois existe uma predisposição já comprovada que eles podem ser prejudiciais. Somado a isso, são alimentos que elas dificilmente ingeririam na natureza”, explica o veterinário.

RESPONSABILIDADE

Deixar de orientar o cliente corretamente e permitir que ele alimente de forma errada a ave, pode render algumas visitas ao médico-veterinário. “A maioria dos problemas que aves podem ter por receber uma alimentação desbalanceada estão ligados às hepatopatias. Então, oferecer alimentos muito gordurosos para espécies que não deveriam comer tanta gordura, por exemplo, levam a desequilíbrios e desordens que, muitas vezes, não são perceptíveis pelos tutores, mas estão ligados às hepatopatias. Mais de 50% dos problemas de saúde que atendo na clínica foram causados por erros dos tutores, que não sabem quais são as necessidades e as rotinas das aves que têm em casa”, aponta Dr. Felipe.
Assim, ao abordar um cliente que procura por alimento para a sua ave, o primeiro passo é identificar qual animal ele tem em casa, para em seguida, indicar o melhor alimento. “Cada animal tem sua individualidade. Por exemplo, tem calopsitas que gostam mais de comida de periquito, e tem periquito que gosta de comida de canário. Assim, ter um conhecimento mais profundo sobre cada uma das espécies é importante. Por exemplo, saber que a calopsita é granívora, que o tucano e o papagaio comem muitas frutas e que a arara é muito mais granívora de sementes mais oleosas, são informações que o vendedor deve ter”, destaca. Aliás, como a ração extrusada não é um alimento natural das aves, muitas podem ter dificuldade em aceitá-la, exigindo uma adaptação gradual. “As espécies granívoras, que preferem grãos, dificilmente terão uma boa aceitação”, ressalta. Porém, apesar de existirem algumas ressalvas e ponderações sobre a oferta de ração para aves, o veterinário aponta que o alimento possui uma composição básica que proporciona um alimento equilibrado de proteína, gordura, quantidade de umidade, entre outros ingredientes, que contribuem para uma dieta correta para estes animais.

Foto: cynoclub/iStock

SUPLEMENTAÇÃO

Por fim, Dr. Felipe alerta que o uso de suplementação para aves, que é benéfica em momentos em que a ave necessita de fornecimento de algum item ou nutriente em especial e durante um determinado tempo (como período de muda, reprodução etc.), não deve ser feito sem orientação do médico-veterinário. “Existem riscos, ainda mais em aves muito pequenas que a chance delas se intoxicarem e causar danos é grande. Ou em aves que vivem muito tempo, como os papagaios. Sempre venda esses produtos tendo uma prescrição de veterinário”, finaliza.

Agradecemos a colaboração de Felipe Bath, Médico-veterinário no Hospital Birds e Cia, Núcleo de Internação para Aves e Animais Silvestres.
Instagram: @ hospitalbirdsecia
www.niaas.com.br

Por Samia Malas