sábado, abril 20, 2024
Aves e Aquarismo

Aves que são ótimos pets e vão te encantar

Confira seleção de aves que fazem sucesso entre os amantes de aves domésticas e exóticas

Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Na ornitologia estão registradas mais de 891 espécies de aves somente no bioma da Mata Atlântica, segundo levantamento de 2017 realizado por ornitólogos do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo. Desta porcentagem, 45% se encontram no Brasil. Já as aves domésticas, silvestres (da fauna brasileira) e exóticas (não nativas do Brasil) representam outras milhares de espécies, cada uma com o seu charme especial. Em nossa capa desta edição, por exemplo, trouxemos o Ring Neck Azul que, além de esbanjar sua beleza natural, também é uma ave muito inteligente e um excelente pet. A seguir, fizemos uma seleção de aves que têm muitos admiradores.

Canário Border

Fotos: © Lemo/ Criador: Luiz Fernando Albuquerque
Canário Border branco (à esq.) e amarelo (à dir.), de Luiz Fernando Albuquerque

A canaricultura doméstica mundial é composta por 590 canários de cores diferentes, 30 raças de forma e postura e pelos canários de canto (Malinois, Timbrado Espanhol e Harz). Dentre os canários de porte mais difundidos no Brasil e no mundo encontramos o Border, originário entre a Inglaterra e a Escócia (daí o nome Border, que significa Fronteira em inglês). Foi oficialmente considerado raça entre os anos de 1850 e 1870. “Esses canários exigem criadores mais experientes, não sendo indicados para iniciantes. Porém, é uma raça bem calma e os machos são grandes cantores!”, aponta Luiz Fernando Albuquerque, CEO da Megazoo e criador de Border.
Como todo canário de porte, as principais características dessas aves se relacionam à configuração de seu corpo e a posição que assumem no poleiro. Desse modo, podemos descrever o Border como uma ave de formas arredondadas, com silhueta típica (“dobrada nuca” em posição de 60º em relação ao poleiro), fazendo que assuma uma posição semirreta. Sua plumagem é brilhante, lisa, rente ao corpo e dotada de cores naturais e claras. Possui bico proporcional aos olhos e à cabeça. Como gosta de espaço, precisa de gaiola espaçosa para viver bem, com poleiros de diferentes tamanhos. Também precisam de uma banheira disponível para banhos, que adoram! Se alimentam de sementes, como alpiste e painço, além de rações específicas e misturas de sementes para canários.

Cabeça de Ameixa

Fotos: Arquivo pessoal Anibal Rolim
Cabeça de Ameixa em duas cores diferentes: azul, que é mais raro, e a cor original da espécie, ambas do Criadouro Aves Exótica

Este periquito é parente próximo do popular Ring Neck (Psitaculla kramerii), sendo membro deste gênero de psitacídeos originários da Ásia. Segundo Anibal Rolim, do Criadouro Aves Exóticas, é popularmente conhecido como Cabeça de Ameixa (Psittaculacyanocephala), no Brasil, e Plum-headed na língua inglesa, devido à característica cor ameixa da cabeça do macho adulto.
Vive de forma selvagem na Índia, assim como o Ring Neck, mas também já se encontra domesticado e espalhado na casa de criadores de todo o mundo. “Possui muitas características em comum com o Ring Neck, mas também diferenças marcantes, as quais acho que são qualidades que o favorecem. Em comum podemos destacar a cor verde básica, formato do corpo e da cabeça, e a cauda longa com duas penas centrais bem longas e flexíveis. Também a alimentação, hábitos de vida e acasalamento são semelhantes. Atingem a idade adulta, com plena coloração e fertilidade, aos 2 anos nas fêmeas e aos 3 anos nos machos. Existem casos mais precoces, mas não são a regra. Assim como no Ring Neck, o macho adulto apresenta um colar, que a fêmea não tem, e fazem postura de quatro a seis ovos. Costumam criar bem seus próprios filhotes”, aponta Anibal. Porém, continua ele, diferente do Ring Neck, que tem a cabeça verde como o corpo, a cabeça do Cabeça de Ameixa apresenta-se colorida de um tom lilás avermelhado no macho (daí o nome ameixa) e cinza na fêmea. Anibal explica que, além de ser menor que o Ring Neck, o Cabeça de Ameixa também difere no comportamento e sociabilidade, sendo mais dócil. “Este temperamento amigável, vocalização menos estridente e mais baixa, e a necessidade de espaços menores para seu alojamento, já tornam esta espécie muito atrativa”, diz Anibal, que aponta a chegada de novas cores na espécie, como as mutações ainda pouco comuns: verde-cinza, amarelo, lutino, canela, diluído, arlequim e opalino. “Uma cor muito esperada é o azul. Para um futuro próximo, esperamos ter também o fator escuro (verde jade/oliva, azul cobalto/malva), violeta, palid, clear tail, fallow, como nos Ring Necks, com todas as muitas combinações possíveis”, finaliza.

Príncipe de Gales

Foto: Arquivo pessoal Anibal Rolim e Tom Meaker/iSotckphoto.com respectivamente
Princípe de Gales na cor original (à dir.) e, ao lado, uma mutação rara, a Arlequim, do Criadouro Aves Exóticas

No Brasil, Príncipe de Gales (Polytelis alexandrae) é o nome mais conhecido desta espécie tão agradável. Em inglês é Princess of Wales Parakeetou Princess Alexandra’s Parakeet, ou seja, Periquito Princesa de Gales ou Periquito da Princesa Alexandra. “Não sabemos o motivo da diferença na tradução, mas nada muda, pois ele continua sendo um periquito digno dos seus títulos de nobreza. No seu gênero também temos o Barraband e o Regente, parentes próximos, com a mesma forma, mas com maior volume do corpo, todos muito belos. Nestes temos um dimorfismo sexual bem marcante”, detalha Anibal Rolim, do Criadouro Aves Exóticas.
Ainda segundo Anibal, essa ave é muito elegante, esbelta e altiva, com longa cauda, chegando ao comprimento total de 45 cm. “Marca sua presença com seus trejeitos e canto direcionados a sua fêmea ou a quem se aproxima de seu recinto. A cor básica é o verde, com delicados desenhos em azul na fronte, nas asas e no uropígio, e uma bonita marcação em rosa na garganta e sob a cauda (bico pink). Também possui uma marcação clara, verde amarelada sobre as asas e olhos escuros”, descreve. É uma espécie nobre também por ser muito dócil e mansa, explica o criador. “Gostam de vir encontrar seu tratador, esperando um petisco ou uma conversa, não raro se deixando tocar”, diz, ao explicar que a diferença entre machos e fêmeas é mais discreta, mas presente e bem perceptiva ao criador experiente quando atinge sua cor de adulto, com cerca de 1 ano de idade. “As fêmeas têm menos brilho na plumagem, são ligeiramente mais acinzentadas e com menos intensidade de cor nas áreas em azul e rosa. Em geral também têm as penas centrais da cauda um pouco mais curtas”, explica.
Na natureza, essa ave vive em zonas áridas do centro da Austrália, sendo nômade e percorrendo extensas distâncias em busca de locais com água e alimentos.
Para sua criação, é recomendado colocar poleiros um pouco altos no fundo, para manterem suas caudas longas perfeitas. E o banho não pode faltar. “Adoram uma chuvinha, e em períodos de seca, podemos lhes dar estes banhos com mangueira ou aspersor, pois ajudam a manter a plumagem em dia e estimula a criação”, acrescenta Anibal. A alimentação é fácil: uma boa mistura de sementes e farinhada ou ração, complementada com verduras e frutas. E ainda um grit mineral ou pedra com cálcio. Além da cor ancestral, o criador aponta que existem algumas mutações que mudam totalmente o visual dessa ave, pois alteram a cor do corpo todo. “As duas principais e que se pode encontrar por aqui são as mutações azul e lutino”, finaliza.

Periquitos Aco-Íris, Hagorono e outras cores e mutaçãoes

Periquito Asa Negra da Venezuela e o Face Negra, duas das aves mais raras do Brasil
Fotos: Arquivo do Aviário Pena Azul
Periquito Hagoromo celestial japonês corpo claro do Texas opalino violeta














O periquito Arco-íris, que também faz parte da família dos Psitacídeos, recebeu esse nome por ter penas das cores do arco-íris. Pode ser encontrado em florestas da Oceania e do sudeste asiático. Como se alimentam de frutas, sementes e insetos, além de néctar e pólen quando está na Natureza, possuem uma língua comprida e rugosa. É uma ave bastante ativa, confiante e amigável, interagindo com humanos, principalmente, se lhe oferecerem comida.
Emanuel Lucas Comper e seus sócios, João Victor Gonçalves de Oliveira e Edno Diniz Alves, do Aviário Pena Azul, criam várias mutações de periquitos, algumas delas, bem raras. “Começamos criando o Arco-íris em meados de 2012, quando ficamos fascinados pela exuberância das cores dessa ave. Ao estudarmos a genética dos periquitos, para obter exemplares naquela variedade, descobrimos que ele não se tratava de uma mutação autêntica, mas sim da combinação de várias mutações: Face Amarela (dominante), fator de escuridão e Violeta (dominante), azul (recessiva) e Opalino (sexo ligada), que quando combinadas produzem uma ave bastante colorida”, explica Lucas, que hoje, junto com seus sócios, cria diversas cores e mutações: “os Fulvos, Arlequim Dominante Holandês, o até então inédito Corpo Claro do Texas Asa Canela (processo de linkage muito difícil de acontecer), Asa Negra (mutação muito rara no Brasil), Face Negra (também muito rara no continente americano), novas mutações em Hagoromos Celestiais Japoneses como o Corpo Claro do Texas e, os mais recentes, Asa Negra e Arco-íris em Hagoromo.”
“Atualmente o trabalho de desenvolvimento genético é bastante amplo em nosso aviário. Temos um plantel composto por diversas mutações, a maioria, raras ou atípicas. Nosso objetivo é ter mutações e combinações mais raras, sempre buscando o melhor padrão e adquirir cada vez mais conhecimento sobre esses pássaros fascinantes. Com a inclusão dos Periquitos Australianos de Cor no portifólio de categorias oficiais da FOB, temos trabalhado além das mutações, pássaros no padrão morfológico COM e WBO”, finaliza Lucas.

Por Samia Malas