quinta-feira, maio 30, 2024
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Indústria de medicamentos para pets

Foto: dima_sidelnikov/iStockphoto.com

Foco na longevidade do pet e na evolução da Medicina Veterinária

Leonardo Brandão, médico- -veterinário e atual coordenador da Comissão de Animais de Companhia (COMAC), aponta que no setor de saúde pet, “inovações tecnológicas trouxeram não apenas novas moléculas (mais seguras e eficazes) no combate e tratamento de diversas enfermidades, mas também, permitiram inovações na forma e tempo de administração de um medicamento, o que significa comodidade e maior adesão ao tratamento”. “Acredito que o binômio inovação e comodidade é fundamental para o mercado pet de medicamentos”, acrescenta. Para Luiz Luccas, empresário e consultor de empresas e de fundos de investimentos com mais de 20 anos de experiência no setor pet, a indústria de medicamentos tem um papel que transcende a venda de produtos.

“As empresas têm papel na melhora da relação entre o pet e seu tutor, tendo em vista que as famílias brasileiras hoje são multiespécies”, aponta. Ainda segundo o consultor, o cresci- mento da indústria de medicamentos veterinários voltado para animais de estimação foi exponencial nos últimos anos, tanto no Brasil e como no resto do mundo, principalmente por conta de novos produtos no segmento de antiparasitários com a chegada dos mastigáveis. “O setor de antiparasitários, principalmente para controle de pulgas e carrapatos, representam 40% do faturamento do segmento”, acrescenta Luiz Luccas. Além da ca- tegoria de ectoparasiticidas, Leonardo ainda cita a de vacinas como uma das maiores do segmento vet. “Ambas as categorias historicamente lideram o segmento de medicamentos”, reforça o veterinário, que acredita em uma recuperação de crescimento do setor até o fim do ano. “Creio que teremos um retorno gradativo à demanda do segmento pet, com recuperação em relação aos números históricos até o final desse ano. Creio que o crescimento do setor de medicamentos pet seguirá sua tendência normal para os próximos anos, com crescimento histórico acumulado na casa de 10 a 12%”, diz.

DESAFIOS DO SEGMENTO VET

Sobre os desafios dessa indústria, Luiz acredita que gerenciar o alto custo de distribuição seja o mais significativo.“Isso está diretamente ligado à algumas escolhas que a indústria faz, além da própria caraterística do varejo brasileiro, que é bastante segmentado”, comenta. Além disso, o consultor entende que existe ainda um gap muito grande entre o número de pets no Brasil e o acesso à medicalização. “A indústria precisa ajudar a melhorar esse canal entre veterinário e o tutor do animal para que, cada vez mais, as pessoas tenham acesso a medicamentos e tratamentos veteri- nários”, diz. Para Leonardo, além dos já sabidos altos impostos cobrados no Brasil, que encarecem os preços e a fabricação dos produtos, existe ainda um desafio quanto a maior conscientização dos tutores sobre a necessida- de de cuidados preventivos com seus pets, não apenas tratá-los quando já estão doentes. “Temos o grande desafio de aumentar o índice de medicali- zação dos pets, a maioria dos animais recebe minimamente cuidados essen- ciais, como o uso de vacina anti-rábica. Temos ainda muito espaço para crescer!”, finaliza.

MAIS SAÚDE PARA PEIXES, AVES E EXÓTICOS

Não é só o segmento de medicamentos para cães e gatos que se desenvolveu nos últimos anos. O nicho que se dedica a prolongar e melhorar a vida de aves, também avançou. “Há 10 anos tínhamos menor quantidade de medicamentos disponíveis para aves. Mesmo que ainda tenham poucos, principalmente com indicação em bula, hoje, existem uma gama de medicamentos sendo utilizados devi- do a presença de estudos (artigos e livros), não mais somente baseados em dados empíricos”, aponta a M.V. Erica Couto, Mestre em Medicina e Bem-Estar Animal, Pós-Graduada em Clinica de Animais Silvestres e Médica Veterinária no Consultório de Animais Silvestres – TUKAN, de São Paulo-SP. Ainda segundo ela, a maior qualidade de ensino e dedicação do medico-veterinário aos animais não convencionais, é outro ponto que pode ser destacado como um grande avanço. Já no segmento de exóticos e silvestres, ainda faltam pesquisas e o desenvolvimento de medicamentos próprios para eles. Para Erica ainda é preciso usar medicamentos de cães e gatos, fazendo uso de dosagem vista em bulários, artigos científicos e livros específicos.

Segundo o aquarista e empresário Ivan Oliveira, proprietário da Aquariomania, atacado de peixes, produtos para aquariofilia e e-comerce (www.aquariomania.shop), de Fortaleza-CE, e vice-presidente da Associação Brasileira de Lojas de Aquariofilia (ABLA), no segmento de medicamentos para peixes, a variedade da indústria nacional ainda está limitada a algumas poucas marcas. Ainda segundo ele, no Exterior, existem muito mais opções, mas são de difícil importação. “Essas marcas não estão conseguindo ser importadas pelo Brasil pelo alto custo de liberação desses medicamentos e burocracia”, comenta Ivan.

Por: Samia Malas