segunda-feira, maio 27, 2024
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Medicamentos para especialidades veterinárias

Foto: dima_sidelnikov/iStockphoto.com

Atendendo o movimento de segmentação da Medicina Veterinária

O profissional médico-veteri- nário possui grande contribuição para o crescimento do segmento pet no Brasil. Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o Brasil é o país com maior número de profissionais ativos, com cerca de 140 mil veterinários formados e atuan- tes. Por ano, milhares de veterinários formandos ingressam nesse vasto – e concorrido – mercado, provenientes das cerca de 480 instituições com cursos de Medicina Veterinária no Brasil (dado retirado do site do Minis- tério da Educação em maio de 2020). Além disso, mais da metade desses recém-formados almejam trabalhar na área de pequenos animais. Diante deste cenário, o movimento de especialização e qualificação constante desses profissionais se faz necessário. E é uma grande tendência da profis- são. Segundo assessoria do CFMV, o reconhecimento das especialidades na Medicina Veterinária é recente e o número de profissionais habilitados como especialistas são relativamente pequenos quando comparados aos da Medicina Humana. Entretanto, é possível observar o crescimento de sociedades e associações nas mais diversas áreas de atuação, o que de- monstra um crescimento profissional e a valorização do trabalho dos médicos-veterinários pela população, que cada vez mais procura um serviço especializado.

ASSOCIAÇÕES VETERINÁRIAS

Hoje contamos com inúmeras associações e colégios que ajudam a divulgar, capacitar e dar apoio a veterinários que decidem fazer parte do universo das especialidades veterinárias. Isso porque só é reconhecido denominado como especialista o médico-veterinário que passa por alguns crivos, baseados nas próprias resoluções do CFMV. Para utilizar desse título, o CFMV exige que o médico-veterinário se submeta a uma prova, aplicada por uma associação ou um colégio de especialistas, que esteja habilitado a emitir o título de especialista. Segundo o Conselho, para ter habilitação para emitir título de especialista, as sociedades, associações e colégios devem congregar contingentes de profissionais, estabelecidos em, pelo menos, cinco unidades da Federação em suas áreas específicas de domínio de conhecimento, e que estejam legalmente constituídas há mais de cinco anos. A instituição deve apresentar toda documentação exigida pela Resolu- ção CFMV 935/09, e, caso aprovada, terá seu reconhecimento firmado em Resolução Específica podendo renovar seu credenciamento a cada cinco anos. Mesmo que hoje o CFMV re- conheça, oficialmente, apenas parte delas (Medicina Veterinária Intensiva, Acupuntura, Cardiologia, Oftalmologia, Medicina Felina, Cirurgia e Anestesiologia, Radiologia, Patologia, Dermatologia, Oncologia, Homeopatia, Medicina Veterinária Legal e Higienistas de Alimentos) a cada ano, esse número aumenta, graças à organização de profissionais que se es- forçam para este fim.

CRESCIMENTO ACELERADO

Segundo Leonardo Brandão, médico-veterinário e atual coordena- dor da Comissão de Animais de Companhia (Comac), as categorias como produtos terapêuticos e especialidades (dermatológicas, por exemplo) possuem grande potencial para crescimento. “O principal motivo é que com a mudança de comportamento da população brasileira (e maior relação de proximidade com os pets), há tendência de maior ‘sofisticação’, ou seja, os cuidados básicos (como vacinação e tratamentos contra pulgas e carrapatos) serão lentamente superados por tratamentos mais específicos (contra doenças crônicas associadas ao envelhecimento da população pet, mais bem cuidada, por exemplo)”, aponta.

A partir de sua experiência no mercado brasileiro e internacional – tendo atuado nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia – o consultor e empresário Luiz Luccas concorda com Leonardo, e aponta que o segmento de biológicos e terapêuticos tem crescido bastante, trazendo consigo um outro ponto importante do setor: o aumento de serviços veterinários. “Esses medicamentos são vendidos com receita, então estão intimamente ligados ao maior acesso de pessoas ao chamado pet serv”, diz o especialista, que percebeu um crescimento anual de 14% nesse setor entre 2012 e 2018, a partir de dados coletados por ele mesmo a partir de conversas com diferentes players do mercado pet e veterinário.