segunda-feira, maio 27, 2024
Aves e AquarismoSaúde

Pododermatite em aves: fique atento a este problema tão comum

Saber prevenir essa doença com manejo correto é fundamental

Fotos: Arquivo pessoal de Ariel A. Réboli

A Pododermatite é a doença que mais vejo em aves, em minhas consultas. Ela pode ser causada por fungos, bactérias e ácaros e surge, principalmente, pela falta de cuidados com as patas do animal.
As espécies mais afetadas são os canários, mas também pode acometer outras aves. Dependendo da causa da Pododermatite ela pode ser contagiosa, sendo transmitida por contato à outras aves – como não é uma zoonose, não atinge o ser humano –, principalmente quando há falta de higiene nas gaiolas. Quando ocorre, a doença costuma atingir ambas as patas do animal. Assim, é preciso muito cuidado da parte de criatórios e lojistas que vendem esses animais no pet shop, para que a Pododermatite não afete seus animais.

SINTOMAS E TRATAMENTO

A doença começa com um enfraquecimento da área plantar, mais ainda sem sinal de uma infecção na pele (ulcerações). Conforme evolui, a ave começa a ter lesões localizadas, inchaço nas patas e a demonstrar que há algo errado levantando a pata de forma permanente e imobilizando dedos e falanges. Esses são sinais de que ave está com dor. Então começam a surgir sintomas mais graves, como necroses, que são os últimos e mais graves sintomas da doença, e que levam à perda do membro e até a morte por septicemia.
O tratamento é feito de acordo com a causa da doença, então varia. Porém, a Pododermatite é crônica e pode voltar caso a origem do problema não seja resolvida.

DIAGNÓSTICO

Já o diagnóstico é realizado através de exame de raspagem (citologia) das lesões da pele da ave para detectar a presença de ácaros e de Cultura microbiológica e antibiograma. Em lesões mais profundas, pode ser necessário o uso de radiografia das extremidades, para saber se os ossos também foram afetados.
São exame fáceis de serem feitos, porém, o recomendado é que criadores e lojistas se atentem aos cuidados de manejo que previnem essa doença.

PREVENÇÃO

Para que essa doença não se instale nos seus animais, o mais importante é ter um cuidado preventivo com as patas, com os seguintes protocolos:

• Evite poleiros totalmente lisos: disponibilize poleiros de superfície irregular, com texturas, diâmetros e formas diferentes;
• Promova o exercício e evite a formação de calos e crostas: a falta de exercício faz com que a ave fique muito tempo no poleiro, causando a erosão do epitélio plantar. Por isso, é importante que aves tenham espaço para voar e se exercitar diariamente;
• Mantenha uma alimentação adequada: aves que tenham deficiência em vitaminas, especialmente a A e a E, estão mais susceptíveis a desenvolver a doença. A obesidade também contribui para o surgimento de lesões nas patas, já que há uma sobrecarga do peso plantar e, consequentemente, menos irrigação sanguínea na área;
• Mantenha as patas secas: a falta de higiene nas gaiolas faz com que as patas das aves permaneçam sempre úmidos e isso favorece o surgimento da doença.
• Cuidado com as unhas: não permita que as unhas das aves fiquem muito longas, pois isso impede que elas permaneçam em uma posição natural, contribuindo para o surgimento de erosões no epitélio;
• Gaiolas e poleiros sempre limpos: a falta de higiene no ambiente das aves favorece o surgimento de bactérias e fungos.

Agradecemos a colaboração de Ariel A. Réboli Graduado em Ciências Médicas Veterinárias pela UNR, na Argentina. Especializado em Aves Exóticas em Madrid, Espanha (2019). Publica artigos na revista Plumas, desde 2018. Curso de Bacteriologia e Micologia no AATALC (2017) e de Parasitologia pela UNR (1999). Certificado de Bem-Estar e Sanidade Aviar (2020)

Por Samia Malas