terça-feira, abril 16, 2024
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Inventores do setor Pet

Criatividade e perseverança é o que não falta nesses empreendedores

Foto: Fathromi Ramdlon por Pixabay

Muitos dos produtos para pets que encontramos nos pet shops nasceram de ideias de inventores criativos. Segundo Daniela Mazzei, Diretora Executiva da Associação Nacional de Inventores (ANI), apenas em 2021, foram feitas em torno de 500 novas patentes, 10% delas eram voltadas ao mercado pet. “Percebemos que é um mercado que está em crescimento e muitas ideias estão sendo criadas para fomentar o setor”, aponta a executiva. Ainda segundo ela, uma das principais dificuldades em se lançar produtos novos á fazer o inventor entender que existe um processo para que ele consiga tirar a sua ideia da cabeça e de fato colocá-la em prática. “Esse processo requer algumas etapas como pesquisa, entender o mercado, registro de Marca e de Patente, fase comercial, busca de fornecedores etc. Muitos acabam desistindo no meio do caminho”, aponta ela. Já Alaíde Barbosa, CEO da Capri Venture, aponta que o mercado pet é extremamente promissor, mas ainda muito carente de inovação. “Esse mercado vem passando por um processo de open innovation, que tem como princípio a colaboração entre empresas, órgãos públicos e pessoas de fora da organização para a criação de novos produtos e serviços. Este ecossistema colaborativo é uma forma de fomentar novas ideias e possibilitar o surgimento das startups com soluções disruptivas para atender as dores do mercado”, explica Alaíde. Na Capri Venture Builder há várias startups com soluções inovadoras e diversificadas aponta Alaíde, que percebe ainda uma carência em pesquisas para desenvolvimento de soluções biotech para o ecossistema pet.

BEBEDOURO DIFERENCIADO

Foto: Divulgação Vida Mansa

Tudo começou quando o inventor Luiz Antônio do Carmo Rocha, de Patos de Minas-MG, conversava com um cliente do restaurante que tinha. E escutou dele que uma das maiores preocupações com seus pets era a de que, ao beberem água, molhavam bastante os pelos. E pelo fato de estarem molhados, se sujavam bastante, causando desconforto e até mesmo criação de fungos e doenças de pele. “Ao fechar o restaurante, sentei em uma mesa e comecei a pensar em possibilidades de protótipos até altas horas”, conta o inventor dos bebedouros Vida Mansa, que antes dessa invenção já havia arriscado um outro protótipo de comedouro e bebedouro automático, mas que era inviável comercialmente.
Os produtos Vida Mansa são comercializados desde 2008, inicialmente, somente pela internet, e hoje, nos pet shops de todo o Brasil. Em 2013, Luiz Antônio teve que reestruturar seu negócio para crescer mais e iniciou uma sociedade. “Nascia aqui, em14 de novembro de 2013, a Produtos Vida Mansa Ltda. Com a sociedade formada e a escolha administrativa definida, iniciamos os planejamentos estratégicos para alavancar a comercialização”, relembra. Além disso, o modelo de bebedouro comercializado deveria ser mais uma vez melhorado. “Adequamos o uso de maquinário para estampagem, eliminando a forma artesanal e manual dos tornos de repuxo”, revela.
Hoje, Luiz Antônio possui 81 itens em seu portfólio. “Beber sem molha os pelos. Evidente que este é o conceito principal dos bebedouros. Porém, a Produtos Vida Mansa só lança produtos de invenção própria com design diferenciado e adequado à qualidade de vida dos pets”, finaliza o inventor, que hoje administra a empresa ao lado de Antônio Rocha Filho.

ROUPAS CONFORTÁVEIS

Foto: Thais Mazzoco/Santo Chico Fotografia Pet

Os inventores da marca Nicho do Bicho, de roupas confortáveis e funcionais para pets, são formados em design de moda, e foi por uma necessidade pessoal que montaram a marca. “A Shakira, nossa garota-propaganda, tem problemas tanto de mobilidade como de pele, pois ela sofre de dermatite atópica. A gente não conseguia achar roupa por conta do tamanho dela: é uma Golden Retriever de 42 kg”, apontam Hermann Hansen William de Barros e Alexander Alencar Alves, de São Paulo–SP, que iniciaram a marca há 2 anos. “Usamos o nosso conhecimento e pesquisa para trazer uma nova forma de utilizar o vestuário no mercado pet, trazendo algo diferente do que já existe – normalmente fabrica-se muito fantasias com objetos, aviamentos e detalhes que podem ser perigosos ao pet, pois podem ser ingeridos. Assim, nós seguimos o mesmo critério de fabricação usado na indústria infantil, que é a ABNTNBR 16-36-C, para trazer segurança ao vestuário pet”, explica Hermann.
Como todo inventor, eles passaram por todas as etapas de testes, registro, patente, que durou um ano. Apenas recentemente começaram a comercializar os produtos, que têm como grande diferencial, a característica de não limitar os movimentos do cão. Para isso, os modelos foram pensados em módulos e as mangas foram abolidas. O tecido é de 7% elastano e com proteção UV. “Até a cor usada nas roupas é pensada na funcionalidade, com módulos com pigmento mais escuro no dorso – para dias mais frios – e mais claro no dorso – para dias mais quentes. Nossa roupa também tem beleza, mas é funcional. A moda deve ter um propósito não deve ser puramente estética”, finalizam.

SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS E PRÁTICAS

Foto: Divulgação Huspet

A Huspet, empresa de Curitiba, foi criada pela mãe de pet Samanta F.S. Molin e seu sócio, Sérgio Schemberk, experiente empresário no ramo da distribuição. Samanta sempre foi apaixonada pelo mercado pet e via nas próprias necessidades, a falta de produtos com a qualidade que buscava. Quando encontrou com Sérgio, que é CEO da Supermax Brasil Luvas de Proteção e já estava de olho no franco crescimento do mercado pet, começaram a desenvolver juntos o planejamento estratégico da Huspet, que foca em soluções inovadoras, bem-estar animal e soluções para os tutores e parcerias sustentáveis para fortalecer o mercado. “Nossos produtos são 100% nacionais. Além disso, investimos em soluções com menor impacto ambiental, em embalagens pensadas para otimizar a venda no PDV e em trazer praticidade ao dia a dia dos tutores. Como exemplo podemos citar os saquinhos coletores que são biogradáveis e o granulado higiênico com fórmula mineral que possui embalagem que para em pé, otimizando a exposição na loja e é fácil de guardar em casa e pode ser fechada com zip lock”, lista Samantha, que opera no formato de startup enxuta desde outubro de 2022, quando entrou no mercado. “Hus é uma palavra norueguesa que significa lar. E na história da Noruega os vikings foram os primeiros povos a domesticar os gatos. Um dia, em nossas pesquisas de mercado, ouvimos um tutor dizer, com os olhos brilhando, que para ele ‘lar é onde seu pet está’, onde você é recebido com lambeijos ou com um ronronar. Foi aí que nasceu a nossa missão: tornar nosso lar e nosso dia a dia cada vez mais confortáveis e seguros para nós e nossos pets”, finaliza.

RECONHECIMENTO FACIAL

Foto: Divulgação PUPZ

Carlos Fabbro, especialista em tecnologia e idealizador da PUPZ, é tutor da Golden Channel, que foi a inspiração para o desenvolvimento do aplicativo de reconhecimento facial e a criação da empresa de São Paulo-SP. “Tudo começou em 2018, um ano em que estava trabalhando muito e me esqueci de dar as vacinas da Channel. Me senti mal por isso e pensei que seria bom ter algo que nos ajudasse a lembrar dessas datas. Então o primeiro produto que criei foi para ajudar as pessoas a cadastrar os prontuários dos pets e serem lembradas das datas das vacinas, vermifugação etc.”, explica Fabbro, que levou anos para desenvolver esse aplicativo, que por meio da inteligência artificial consegue ligar os pontos da face do animal para identificá-lo. “Para isso, nós utilizamos três redes neurais convolucionais, uma classe aplicada com sucesso no processamento e análise de imagens digitais, e que é a base para o reconhecimento facial dos pets em nosso sistema”, explica Fabbro.
Além desse primeiro produto, Fabbro acaba de lançar também o primeiro Dual Microchip do mundo, que possui dupla tecnologia, possibilitando que seja lido tanto por um aparelho convencional de um veterinário, como um celular comum, pela aproximação na pele do pet. Assim, caso o animal se perca, é mais fácil que qualquer pessoa que o encontre mande a localização para o tutor, sendo uma grande inovação no mercado. “Esta tecnologia é a primeira do mundo, não existe dual microchip, foi a Pupz que inventou. Protocolamos o pedido de patente desse e de todos os outros produtos”, conta Fabbro.

JOIAS AFETIVAS

Foto: Divulgação

Desde a primeira peça confeccionada e vendida até o patamar de cerca de 1.500 mulheres formadas pela Universidade das Joias Afetivas, Lupe Polizel passou por várias fases, que a transformaram de veterinária à mentora de mulheres que desejam ter mais autonomia geográfica e financeira. Guadalupe Polizel é dessas mulheres de garra que não só vai em frente, mas abre caminhos para que outras mulheres evoluam também. “Eu comecei a fazer joias afetivas para ter mais liberdade, poder ficar mais tempo com a minha filha”, diz. Lupe era veterinária, amava a profissão, mas depois que a pequena Laís nasceu, faltava tempo para ficar com a filha. A escolha das joias afetivas foi para manter o elo com o universo pet, sua paixão. “Eu fui pioneira aqui no Brasil. Antes de se tornar uma febre, me especializei em joias de material pet, feitas especialmente para ‘mães de pets’”, diz.
Lupe revela: dá para aprender em pouquíssimo tempo, confeccionar as peças em casa, mesmo, com materiais simples e um investimento de R$300, e faturar, em média, acima de R$3 mil por mês. Lupe criou um método próprio, o Pet na Resina, que já ensinou a mais de 1.500 brasileiras e mulheres de mais sete países. Sua primeira empresa foi o Memórias de 4 Patas, na qual ela comercializava as peças. O Pet na Resina veio com a vontade de transformar, a exemplo da sua, a vida de outras mulheres. E hoje, tudo está dentro do guarda-chuva Universidade das Joias Afetivas.

JORNAL SUSTENTÁVEL

Foto: Arquivo Pessoal

Em um dia, ao perceber que estava sem jornal em casa para seu cachorro Bartolomeu fazer suas necessidades, o designer Marcos Galindo, de São Paulo-SP, saiu para comprar tapetes higiênicos convencionais. Já no petshop, calculou quantos pacotes seu cão precisaria usar anualmente e percebeu que, além de não economizar – gastaria cerca de 25 mil reais somando a vida inteira do animal -, também estaria contribuindo com a produção de lixo. Surgiu então a ideia de criar um produto prático e ecológico, para ele e outros donos de cães não satisfeitos com o consumo de fraldas excessivo. Para isso, iniciou uma pesquisa dentro do Instituo Europeo di Design (onde ele estudava na época), que culminou no lançamento do Diário Canino. Após diversos protótipos e 2 anos de pesquisa de mercado, em agosto de 2017 surgiu a Bartô, empresa que tem por objetivo simplificar a vida das pessoas para que possam dedicar mais tempo a quem amam e, paralelamente, contribuir com a conscientização para o bem de nosso planeta. “Hoje temos diferentes versões do produto, incluímos a linha B. Art, com parceria de artistas que desenvolvem estampas exclusivas, e o tradicional, que é um jornal mesmo, que temos parceria com profissionais da área para desenvolverem as matérias, que mudam. Já estamos na quinta edição dele”, finaliza Fernanda Jaquetto, esposa e sócia de Marcos.

APLICATIVO PARA ENCONTRAR PETS DESAPARECIDOS

Fabio Rogério Piva (à esq.), Fernanda Alcântara Andaló e Leonam João de Paul

O Crowdpet surgiu de uma necessidade real enfrentada por tutores de cães e gatos no mundo inteiro: a dificuldade na localização e recuperação de um animal quando ele foge. Entre 2011 e 2013, Fabio Rogério Piva, que é CEO da Crowdpet, engenheiro de computação, pesquisador em segurança da informação e, claro, inventor, estava morando na Alemanha por conta de sua pesquisa de doutorado, quando a Érika, cachorra de uma amiga do Brasil, fugiu e ficou duas semanas desaparecida. “Na época, foi um período de muita ansiedade para todos nós – eu tentava ajudar como podia, montando folhetos de ‘procura-se’ no Powerpoint para que a minha amiga pudesse colar em postes e pontos de ônibus na região da fuga. Foi nessa situação que eu comecei a imaginar um aplicativo de tirada de fotos que permitisse ao cidadão fotografar os animais à sua volta para ajudar a identificá-los – e no processo, ajudar animais perdidos a voltarem para casa”, compartilha Fabio, que assim que retornou ao Brasil, em 2013, começou a trabalhar na área de inovação para indústrias e, assim, entrou em contato com o mundo das startups. “Nesse momento conheci colegas que se tornariam depois os sócios-fundadores da Scipet, fundada em 2016 em Campinas-SP: Fernanda Alcântara Andaló, que é pesquisadora em sistemas de inteligência artificial e especialista em reconhecimento de imagens, e Leonam João de Paula, desenvolvedor Sênior de sistemas especializado em aplicativos para celulares”, conta Fabio. A proposta da startup fundada por esse time era simples: trazer soluções de inovação para os setores pet e de bem-estar animal. “Nossa tese era a de que nós, seres humanos, compartilhamos nossos espaços com outras espécies, e temos a obrigação social de reduzir os impactos da nossa expansão sobre elas – usando tecnologia para a conscientização das pessoas e integração destes animais em nossa sociedade. Desde então, temos atuado no setor de forma independente, financiados por órgãos de incentivo à pesquisa e inovação (como a FAPESP) e recursos próprios”, diz. “Realizar o levantamento populacional de animais errantes é algo difícil e caro, o que leva à invisibilidade destes animais frente à iniciativa pública. E é nesse sentido que o Crowdpet se estabelece como uma solução pioneira no mundo, pois nosso aplicativo permite que o cidadão se envolva na geração colaborativa de dados sobre animais tutorados e errantes, permitindo que protetores de bairro atuem como ‘agentes de censo animal’. O aplicativo é gratuito e os dados gerados colaborativamente pelos usuários são disponibilizados à esfera pública, permitindo que organizações governamentais e não-governamentais atuem de forma mais eficiente e transparente nos cuidados destes animais, reduzindo custos de RH e permitindo que mais cidadãos participem da manutenção de animais errantes”, explica Fabio. Além do Crowdpet, a Scipet tem outros projetos, como o Denuncia Animal (aplicativo de denúncias desenvolvido junto à UFPR), por exemplo.

Agradecemos a colaboração de Alaíde Barbosa CEO da Capri Venture e Daniela Mazzei Diretora Executiva da ANI, Bacharelem Administração de empresas, especialista em Propriedade Intelectual pela FGV e redatora de Patentes.


Por Samia Malas