domingo, julho 14, 2024
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CLAMIDIOSE EM PSITACÍDEOS: o que precisamos saber sobre ela?

Uma doença comum em psitacídeos, ela merece atenção por parte de tutores e lojistas que comercializam aves

Foto: Stanislav BulgakoviStockphoto.com

A Clamidiose é uma doença bacteriana, tendo como seu agente a Chlamydophila psittaci, um cocobacilo Gram-negativo intracelular obrigatório, podendo afetar diversas espécies de aves. Porém, as aves da família Psittacidae são seu maior reservatório. E dentro da família Psittacidae, temos os indivíduos da espécie calopsita (Nymphicus hollandicus) como os mais comuns a apresentarem a infecção na rotina clínica do médico-veterinário de animais silvestres e exóticos.

TRANSMISSÃO

Sendo as calopsitas umas das espécies de psitacídeos mais comumente adquiridas como animais pet, são vários os criatórios e pseudocriatórios encontrados por todo o país, que fazem a reprodução e venda de indivíduos, às vezes, de formas pouco sanitárias ou até mesmo sem qualquer tipo de controle sanitário, aumentado o risco de infecção entre indivíduos, mantendo uma presença constante da Chlamydophila psittaci no seu plantel e, eventualmente, na população pet.
A Chlamydophila tem como uma das suas características de ser altamente infecciosa entre os psitacídeos, assim, sua transmissão pode ocorrer em pouco tempo, no contato direito entre aves, ou por contato indireto, através das fezes do animal infectado, ou até mesmo no local que uma vez habitou uma ave infectada, pois outra característica da Chlamydophila é a sua capacidade de se manter estável no ambiente por longos períodos de tempo, podendo ficar meses no ambiente.

SINTOMAS

A sintomatologia que a ave infectada apresenta tende a ser inespecífica, onde o paciente chega ao veterinário apresentando um quadro de perda de peso, anorexia, prostração, “encorujamento” etc. Mas, por vezes, a ave pode chegar apresentando sintomas mais característicos, como blefarite, conjuntivite unilateral ou bilateral, espirros com ou sem secreções e alteração nas fezes, que ficam mais aguadas.
Mais de 80% dos pacientes com suspeita de Clamidiose apresentam a forma intestinal da doença, podendo ou não apresentar outros sintomas, já os outros 20% dos pacientes apresentam a forma ocular (conjuntivite) ou respiratória (espirros). Porém, mesmo uma ave estando contaminada, não significa que ela esteja doente, pois uma ave pode estar contaminada por meses, ou até mesmo anos e nunca apresentar nenhuma sintomatologia, contudo, ela pode ser um reservatório e transmissor da Chlamydophila.

DIAGNÓSTICO

Esse conjunto de sintomas, mais o histórico relatado pelo proprietário, ajudam a chegar ao diagnóstico, porém, mesmo com sintomatologia que possa indicar um quadro infeccioso de Clamidiose, temos apenas um diagnóstico presuntivo, pois os sintomas em si não fecham um diagnóstico definitivo, sendo necessário, e recomendado, fazer os exames para confirmação da presença da Chlamydophila. O diagnóstico definitivo se dá pelo conjunto da avaliação clínica, histórico e exames. No exame de sangue podemos ter o aumento de leucócitos e alterações em enzimas hepáticas, e no exame radiográfico podemos ter hepatomegalia, esplenomegalia e aerossaculite; porém, o exame mais comumente utilizado é o PCR, tendo uma alta sensibilidade e especificidade, no qual detecta a presença da Chlamydophil p. nas amostras (fezes, swab de cloaca eorofaringe).

TRATAMENTO

O tratamento com antibióticos mais comumente utilizados são a Doxiciclina e a Azitromicina, sendo a escolha do antibiótico e do protocolo a ser seguido de acordo com o quadro do paciente e da experiência do médico-veterinário. Também podem ser utilizados suplementos alimentares e inumoestimulantes para ajudar o organismo a combater a infecção, além de ser necessário fazer o controle sanitário do ambiente, fazendo a desinfecção de gaiolas, comedouros, poleiros e brinquedos, para evitar uma continua ou futura exposição do animal ao Chlamydophila.

Agradecemos pelo artigo elaborado pelo Dr. Pedro Chaves (CRMV-RJ 15609) e pelo Dr. Felipe Bath (CRMV-RJ 8772), do Hospital Veterinário Birds & Cia/NIAAS no Rio de Janeiro