domingo, maio 26, 2024
Negócios

Exportação do Pet Food no Brasil: Foco de muitas empresas.

Tanto marcas nacionais como multinacionais têm experimentado crescimento em exportações desde 2020

 

Foto: Gerd Altmann por Pixabay

 

O pet food ainda representa 75% do mercado de animais de estimação e possui as maiores taxas de crescimento, segundo apontou estudo setorizado do mercado pet realizado pela Editora Stilo. Diante de tanta importância, o pet food desponta também nas exportações, representando 95% do que saiu do Brasil rumo a outros países no setor de 2020 para 2021. Nesse período, houve alta de 33% das exportações: de US$ 310,5 milhões de 2020, para US$ 412,5 milhões em 2021. Participando desse aumento nas exportações estão marcas multinacionais como nacionais, que têm ganhado força do Exterior. Um exemplo é a Nutrire, que, inclusive, conquistou o Prêmio Exportação RS, na categoria Destaque Setorial. O prêmio, promovido pela Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil (ADVB/RS), está em sua 49ªedição e é o maior reconhecimento na área de comércio exterior no Sul do Brasil e um dos principais do país no setor. “Somos contemplados pelo Prêmio desde 2017. A importância deste reconhecimento é imensurável”, aponta Giane Danielli, gerente de exportação da Nutrire. “Sempre visamos o mercado externo como uma grande possibilidade de expandir negócios, tanto que há 10 anos criamos um Plano de expansão internacional e organização da estrutura empresarial para atendimento destes novos mercados. Em 2012, já exportávamos para sete países. A partir desse plano ajustamos nossas estratégias, e já alcançamos quatro continentes. Tudo isso está contemplado em planejamentos de longo e médio prazos e estamos prontos para suportar o aumento de demanda que acontece gradativamente”, continua Giane. Ainda segundo ela, a Nutrire exporta desde 2004 e o principal mercado internacional deles é a Colômbia, seguido da Bolívia, Uruguai, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. “O último contrato fechado foi com a Tunísia. Atualmente, 38 países em quatro continentes recebemos produtos da Nutrire e a nossa meta é chegar aos 50 territórios até 2025”, complementa, ao comemorar o resultado que tiveram na Interzoo esse ano. “Muitos contatos potenciais foram feitos em países como Índia, Indonésia, Palestina, Argélia e Marrocos”.

Foto: Divulgação
Giane Danielli, da Nutrire

Além de Monello Select, Monello e Birbo, as marcas Bandit, Bancate Bolt também são exportadas pela Nutrire, cuja unidade que se dedica à exportação é a de Garibaldi-RS, com 43% do volume destinado ao mercado internacional. “Em 2021 a empresa embarcou 36.200 mil toneladas ao mercado internacional. Anualmente tivemos um crescimento considerável de 30%, em média, nos últimos dois anos. Para este ano temos uma projeção de crescimento de 20%”, acrescenta e ainda faz uma ressalva: “o mercado brasileiro é muito bom, mas a alta tributária imposta ao setor prejudica o crescimento das indústrias. Os custos de produção tiveram acréscimo considerável e com tamanha disparidade, o desafio é conseguir manter o preço do produto para o cliente final. Vale acrescentar que o pet food continua sendo o produto mais procurado do segmento, mas a carga tributária é de 54,2% sob o valor total. ”
Para a empresa pet food que pretende iniciar exportações, Giane acredita que o cenário esteja favorável para aquelas que tenham um plano de expansão bem elaborado e que tenham a intenção de seguir no mercado internacional, não apenas aproveitando a alta do dólar. “Há espaço para toda empresa que tenha seus objetivos traçados em excelência naquilo que se dedica”, finaliza.
Outra empresa nacional, esta, fundada em 2001 na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo-SP, que vem tendo crescimento nas exportações é a SpecialDog, que desde 2015 tem exportado para 13 países. “Nossa trajetória rumo à exportação iniciou na segunda metade de 2013, com a preparação da empresa para o mercado externo. Fizemos uma série de revisões e adequações nas formulações, embalagens, materiais institucionais e de marketing, além das prospecções iniciais para nomear distribuidores e registrar os produtos em cada Ministério da Agricultura no exterior”, conta Rafael Venanzoni, gerente de importação/exportação da Special Dog Company, cujo crescimento médio nos últimos anos foi de 40%.

Foto: Divulgação
Rafael Venanzoni, da Special Dog Company

Rafael ainda conta que, atualmente, a Special Dog exporta a sua linha Premium, mas já iniciou processo de ampliação do mix de produtos para outras categorias de maior valor agregado. “No futuro, pretendemos ter uma fábrica exclusiva para exportação”, acrescenta. Para ele, o momento é favorável para as empresas brasileiras exportarem, tanto por causa do câmbio como da escassez de produtos no mercado mundial. “Os fabricantes brasileiros de pet food têm a vantagem de estarem em um país rico em matérias-primas de qualidade para produção do alimento pet. Ainda há muitas barreiras técnicas a serem vencidas, sendo um instrumento de protecionismo de cada mercado, mas o mercado latino-americano em geral é mais aberto aos produtos brasileiros”, opina.

Foto: Divulgação
Marcel de Barros, da Nestlé Purina no Brasil

Outra empresa do setor pet food que tem investido forte em exportação é a Nestlé Purina que, a partir do Brasil, já exporta para Estados Unidos, Alemanha, Itália e França, além de países da América do Sul. E está de olho em outros mercados como Rússia, Austrália e México. Aliás, a nova fábrica que a empresa está construindo em Vargeão-SC fará do Brasil um hub para vendas externas da marca, pois projeta vender ao exterior cerca de 50% do que será produzido por lá.
Segundo o CEO de Nestlé Purina no Brasil, Marcel de Barros, em entrevista ao site Diário do Comércio, disse que “o Brasil tem competitividade em ração animal frente a outros países por ser um grande player de matérias-primas, como soja e milho, além de possuir oferta adequada de subprodutos da indústria de carne como vísceras, utilizadas na composição do ‘petfood’”

 


Por Samia Malas e Natalia Miranda