sábado, abril 20, 2024
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CÃES E GATOS DOMÉSTICOS SERÃO 101 MILHÕES NO BRASIL EM 2030

Foto: kozorog/iStockphoto.com

Pesquisa divulgada pela Comac mostra um significativo aumento da população de pets nos próximos 10 anos

Constantemente nos depara- mos com informações sobre como a população de animais domésticos tem crescido nos lares brasileiros e que este aumento deve ser ainda maior nos próximos anos. Validando e registrando essa impressão geral, a pesquisa Radar Pet 2020 feita para a Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), revelou que o Brasil deve chegar a 101 milhões de pets em 2030 – isso representa 26% de aumento em relação à 2019. A pesquisa, divulgada em 17 de setembro de 2020, foi encomendada pela Comac e desenvolvida pela Fundação Getúlio Vargas. Recentemente, como já divulgamos aqui na revista Pet Center, o Brasil tornou-se o segundo maior mercado de produtos pet do mundo, de acordo com dados doo Euromonitor, superando o Reino Unido. Hoje, o país só está atrás dos Estados Unidos nesse segmento. Muito desse cresci- mento está atrelado ao aumento da população pet brasileira.

No último levantamento de 2018 feito no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as populações de cães e gatos correspondiam a 54 e 24 milhões, respectivamente. Segundo o novo estudo, a projeção é que em 10 anos o número de cães nos lares será de 70,9 milhões, e 41,6 milhões de gatos. “Com essa expectativa de crescimento na população de animais de companhia, diversos setores devem ser impactados, principalmente no que diz respeito à higiene e saúde dos pets”, explica o Dr. Leonardo Brandão, médico-veterinário e coordenador da Comac. O Radar Pet 2020 foi concebido através de pesquisas quantitativas e qualitativas com mais de 3.500 brasileiros de todas as idades, gêneros e classes sociais. A partir dos dados foram traçados os perfis dos tutores e também identificadas tendências em produtos e serviços para os animais domésticos.

PRESENÇA DOS PETS

Mais da metade dos lares brasileiros conta com cães ou gatos: são cerca de 53% dos domicílios. Dentro desse percentual, 44% são habitados por cães e 21% por gatos. A média de pets por casa é 1,72 no caso de cães e 2,01 para gatos. Segundo Leonardo, ainda que os cães sejam maioria, a presença de felinos cresce três vezes mais entre os tutores e eles costumam ser os “pets de entrada”, ou seja, o primeiro contato de muitas pessoas com animais de companhia. “Temos mais cães, mas os gatos têm ganhado um grande espaço nos lares brasileiros. É um animal de entrada para muitas pessoas e famílias. No Nordeste, por exemplo, há uma predominância dos gatos. Um dos possíveis motivos para isso, além do perfil do animal, é um custo mais baixo mensal. O gato vai ser o pet do futuro”, observa.

O Radar Pet 2020 mostrou que os cães estão mais presentes nos lares das regiões Sul e Sudeste do país, em cerca de 50% das casas. Já a região com uma menor penetração é o Nordeste, com 32%. Já o Nordeste é a região que tem maior porcentagem de gatos por lares (23%).

RAÇAS E ADOÇÃO

O estudo esclarece que entre a população de cães: 42% não tem raça definida, 53% são de raça e nos outros 5% os tutores não sabem responder. As principais raças são Pinscher (20%), Poodle (14%), Shih Tzu (9%), Pitbull (8%), Labrador (6%), Chow Chow (4%), Yorkshire (4%), Rotweiller (4%) e Lhasa Apso (3%). Já entre os gatos, a população sem raça defi- nida é bem maior: 62%. Os de raça representam 22% e nos outros 16% os tutores não sabem responder. Entre os que cotaram ter gatos de raça, as mais populares foram: Siamês (67%), Angorá (8%), Persa ou Himalaia (4%), British Shorthair (2%), American Shorthair (1%), Maine Coon (1%) e Sagrado da Birmânia (1%).

Mas uma tendência tem crescido muito nos últimos anos e, segundo Leonardo, é bem provável que tenha aumentado ainda mais durante a quarentena: a adoção de animais. Boa parte dos pets brasileiros chegam aos lares através de doação. No caso dos cães, esse número é 33%, entre aqueles que foram resgatados diretamente da rua, adotados de conhecidos ou de ONGs. Mas no caso dos felinos, o número é muito mais expressivo: 59% dos gatos domésticos são adotados. Outros dados relevantes mostram que muitos dos animais de companhia chegam aos lares como presentes para os tutores (43% dos cães e 29% dos gatos), enquanto aqueles que são adquiridos direto de criadores também figuram com números expressivos (10% dos cães e 6% de gatos).

GASTOS MENSAIS

Para levantar as informações de gastos mensais, o Radar Pet 2020 focou a pesquisa nos tutores que fazem parte das classes A, B e C. Foi constatado que existe diferença entre o valor gasto dependendo do tipo de animal de estimação. Enquanto os tu- tores de cães consomem uma média de R$ 224 por mês, entre serviços e produtos, os tutores de gatos mantêm o valor médio de R$ 168 mensal. Independente do pet, o maior gasto é com ração e outras comidas, o segundo item de maior atenção é o serviço de banho e tosa, e, por fim, vem o consumo de acessórios como tapetes higiênicos, areia, brinquedos, petiscos, entre outros.

SAÚDE E VETERINÁRIO

Cerca de 95% dos tutores de cães e gatos que participaram da pesquisa dizem considerar a saúde do pet tão importante quanto a de um membro da família. Existe também muita atenção para a saúde preventiva, com a utilização de vacinas, itens anti pulgas e vermífugos. Mas aproximadamente 51% também declarou que diminuiu os gastos com a saúde do animal durante a crise econômica.

Na hora de levar o cão ao veterinário, 34% fazem consultas periódicas, 57% só vão quando há algum problema e 9% nunca vão ao médico. Já no caso dos gatos, 36% mantém a periodicidade de consultas ao veterinário, 50% vão ao detectar algo errado e 14% não vão ao consultório nunca. O veterinário segue como a principal fonte de informação sobre a saúde do pet para 87% (cães) e 79% (gatos) dos tutores. Mas a internet – sites, influenciadores e redes sociais – também é muito utilizada e vem em segundo lugar, com aproximadamente 35%.

PERFIL DOS TUTORES

A mulher (entre 16 e 24 anos), é a principal responsável pelos pets, tanto cães quanto gatos, seja na hora de cuidar do dia a dia deles ou para comprar produtos e serviços, o que corresponde a uma média de 60% dos donos. Além disso, a pesquisa revelou que a maioria dos tutores são casados ou “juntados” (58%), sendo que os solteiros e viúvos representam 34% da amostra, e os casais separados apenas 6%. Assim, a maior parte dos tutores mora com a família e com os filhos. A pesquisa classificou três tipos de donos: os Pet Lovers (55%), os Amigos dos Pets (21%) e os Desapegados (24%) Os pet lovers são compostos, geralmente, por pessoas mais jovens, e tem a maior porcentagem de mulheres, casais sem filhos e LGBTs. Eles são os que mais se identificam como “pais de pets” e estão mais propensos a gastar com seus animais. Costumam ser criteriosos, pesquisam bastante e levam muito a sério a saúde do pet e as recomendações dos veterinários. Os Amigos dos Pets formam um grupo intermediário que convive bem com os animais, mas não necessariamente os considera membros da família. Nesse segmento há maior proporção de mulheres, classe A, pessoas casa- das e famílias com filhos pequenos. Já os Desapegados compõe o grupo com a maior proporção de homens, e também apresenta muitas pessoas casadas e família com filhos. Levam seus animais para o veterinário apenas para emergências e gastam pouco com produtos e serviços. São os que menos se relacionam com os pets e evitam antropomorfiza-los.

RELAÇÃO COM OS PETS

O Radar Pet 2020 ainda analisa como os donos de animais de estimação, de acordo com cada perfil, se relacionam com o seu pet. Seguindo a tendência mundial, a maioria dos brasileiros enxerga o seu animal como filho ou membro da família (49% nos donos de cães e 48% nos de gatos). Essa proporção aumenta entre pessoas mais jovens, mulheres e pessoas LGBTs. Apesar desses dados, Leonardo constata que o Brasil ainda precisa evoluir muito em relação aos cuidados e bem-estar com os pets. Diante do grande número de cães e gatos, sua projeção de crescimento e o aumento da relação familiar entre eles e seus tutores, o país é um dos locais com maior potencial promissor para expansão do mercado pet.


Por: Aline Guevara


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