quinta-feira, maio 30, 2024
Mercado Pet

NOSSO MERCADO É O SEGUNDO MAIOR MERCADO DO MUNDO


Ilustração: Macrovector/iStockphoto.com

Segmento supera pela primeira vez o Reino Unido e perde apenas para o gigante Estados Unidos

Não é de se espantar que o Brasil tenha alcançado o status de segundo mercado mundial no segmento de produtos pet. Na quarentena, quando tudo fechava, os pet shops estavam cheios de tutores ávidos por produtos que oferecessem entretenimento para seus pets no confinamento, mimos e estocagem de alimentação. O resultado? São os números divulgados pela Euromonitor International: o Brasil possui hoje 6,4% de participação global no segmento pet enquanto o Reino Unido possui 6,1% e o mercado gigante dos Estados Unidos detém 50% do mercado.

Tal crescimento se deu como um todo no mercado segundo dados do Instituto Pet Brasil (IPB), com exceção da venda de animais diretamente dos criadores e dos serviços gerais. Ainda segundo pesquisa do IPB, o maior crescimento está no segmento de venda por comércio eletrônico, que registrou alta de 65,57% no faturamento. O valor movimentado saltou de cerca de R$ 1,49 bilhão para R$ 2,47 bilhões na comparação entre os dois trimestres. Em segundo lugar vem os produtos veterinários, com alta de 18%. Pet food é o terceiro co- locado, com 10% de crescimento. O ranking ainda enumera pet care (alta de 6,9%) e serviços veterinários (alta de 5%).

Um exemplo, é a Furacão Pet, empresa de acessórios do segmento. “As vendas aumentaram por volta de 40% a 50%”, comemora Marcelo Santos, um dos sócios da empresa. Segundo ele, entre os motivos para tal crescimento está a queda na produção chinesa e a alta do dólar. “A China deixou de produzir por 30 ou 60 dias e a retomada de produção é mais lenta, criando um vácuo no mercado. Somado a isso, com o dólar acima de R$ 5,00 os produtos chineses ficaram 40% mais caros deixando os produtos brasileiros mais competitivos”, explica o empresário.

Outra empresa de acessórios que está em boa fase é a Durapet’s. “Hoje contamos com muitos parcei- ros e clientes distribuidores que já trabalhavam com vendas no sistema de e-commerce e vendas on-line em marketplace, e, com a pandemia e isolamento social, o aumento foi sig- nificativo nas vendas online. Com isso, muitos clientes migraram para esse tipo de venda e nós tivemos um crescimento de 50% nas vendas”, conta Luiz Reni Martins Junior, sócio proprietário da Durapet’s. Para suprir essa demanda, o empresário conta que o time Durapet’s está trabalhando 24horas em regime de escala de trabalho. “Claro, respeitando as normas estabelecidas pela OMS de prevenção ao Covid-19, para realizar um trabalho seguro para todos os colaboradores”, diz. O maior desafio da em- presa, continua Reni, foi conseguir, em tempo hábil, maior quantidade de matéria-prima para produzir muito mais do que produziam.

Na área de medicamentos, a di- visão de Saúde Animal da Boehringer Ingelheim está entre as companhias que apresentaram crescimento em 2020. Ela registrou vendas líquidas globais de 2,2 bilhões de euros no primeiro semestre desse ano. Esse montante, considerando correção do câmbio, representa um crescimento de 4,2% em relação a igual período do ano passado, quando a receita bateu 2,1 bilhões de euros. De forma geral, considerando as outras áreas, a empresa divulgou em 3 de agosto os seus resultados financeiros globais, com vendas líquidas de 9,7 bilhões de euros nos seis primeiros meses do ano, uma quantia que, corrigida pelo câmbio, equivale a um crescimento de 4,4% sobre o mesmo período de 2019 (9,3 bilhões). O antiparasitário para cães NexGard® permaneceu como o produto mais vendido do período, com vendas líquidas de 446 milhões de euros, uma alta de 12,2% em relação a igual período do ano passado (395 milhões de euros), considerando a variação cambial.

EXPORTAÇÃO EM ALTA

Em consonância com o merca- do interno brasileiro, as exportações de produtos voltados para animais de estimação também mostram desem- penho positivo no primeiro trimestre deste ano. “O setor pet deve concluir 2020 rompendo a barreira dos US$ 300 milhões em valor exportado. Isso representa um crescimento de mais de 40% nos últimos três anos”, comenta o presidente-executivo do Instituto Pet Brasil, Nelo Marraccini.

A retomada iniciou-se no ano passado, quando as exportações cresceram 13% em relação a 2018. “Apesar dos desafios impostos pelo coronavírus, o setor pet conseguiu comprovar mais uma vez sua resiliência. O mercado externo já havia se provado uma boa alternativa às turbulências na economia brasileira. O câmbio também permanece bastante favorável às exportações”, comenta o representante do IPB.

A Furacão Pet é uma das empresas que experimenta crescimento nas exportações. “Nossos produtos ficaram 40% mais baratos que há 2 anos, com isso, chegou a vez das empresas como a nossa, que investiu muito em tecnologia e produtividade. Acho que o Brasil está num grande caminho para crescer muito!”, opina Marcelo.

A exportação também teve um aumento relativamente bom neste período para a Durapet’s. “Agora o nosso maior desafio é manter este patamar de crescimento e crescer ainda mais na exportação, mantendo a qualidade em nossos produtos, e sempre prestando o melhor atendimento para nossos clientes”, pondera Reni.

Segundo o Instituto Pet Brasil são considerados mercados prioritários para o Brasil os Emirados Árabes, Colômbia, Peru, Chile, Japão, Rússia e Índia, economias consideradas de grande potencial para os produtos brasileiros, tanto pelo mercado pet em expansão, ou por conta da tradição comercial com o Brasil.


Por Samia Malas


Clique aqui e adquirá já a edição 225 da Revista PetCenter/Groom Brasil e veja todas as reportagens na íntegra!