Seção aquarismo: aquários comunitários exigem atenção

Categoria: Administração

Autor(a): Bruno Rocha Taglietto | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co | Cidade: Campinas | 26/01/2020 - 22:29

Saiba quais são os cuidados necessários para manter esses aquários em sua loja e oriente sua clientela

Foto: jeby69/iStock.com

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Existem tipos de aquários que são muito populares entre os praticantes do hobby, mas para iniciantes se destacam o aquário de Betta, o aquário de Kinguios e o aquário comunitário, sendo este último o que causa mais confusão e dúvida entre os aquaristas iniciantes. Saiba quais são os principais cuidados que um aquarista deve ter com um aquário comunitário, além dos cuidados básicos que todo aquário necessita.

1. CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DA ÁGUA

Um aquarista precisa saber que todo peixe não precisa somente de água e alimentação para viver, mas sim da água e da alimentação corretas. Não é porque o aquário recebe o nome de comunitário que isso serve como um álibi para colocar qualquer peixe. O aquário comunitário recebe esse nome por conter peixes e outros animais de diferentes partes do mundo ou mesmo a temática livre para o layout, mas os peixes e outros animais dependem de características físico-químicas da água que são semelhantes quando comparadas. Percebemos com isso que, ao escolher a fauna de um aquário comunitário primeiramente precisamos levar em conta qual tipo de água vamos manter em nosso aquário: água quente ou fria? O meio será ácido, neutro, alcalino? Águas calmas ou águas agitadas? Ao definir os primeiros habitantes, os próximos deverão ter necessidades físico-químicas semelhantes.

2. COMPATIBILIDADE ENTRE ESPÉCIES

Devido ao mesmo problema citado anteriormente em relação ao “comunitário”, precisamos levar em conta a compatibilidade entre espécies, isto é, se as espécies escolhidas convivem em harmonia dentro do aquário. Portanto, não existe uma regra quanto ao que é certo em relação à compatibilidade entre as espécies, mas há combinações de espécies que costumam ser recomendadas devido ao grande número de aquários bem sucedidos e também alguns pontos a serem observados que podem contribuir no sucesso durante a escolha. São eles: Qual o porte físico do jovem e do adulto? Predam espécies de menor porte? Solitários, casais, cardumes? São agressivos, territorialistas ou pacíficos? São agitados enquanto nadam ou tranquilos? Evite colocar peixes de espécies muito diferentes em comportamento em relação a esses pontos levantados.

Lembre-se: só conversando com outros aquaristas e a partir da própria experiência é que se conhece, aos poucos, melhor quais espécies convivem bem em um aquário.

3. ENFEITES NÃO ADEQUADOS

Quando falamos em aquário comunitário o que normalmente me chega à mente é a palavra criatividade, pois é normalmente esse tipo de fauna comunitária a que é usada por aqueles que montam aquários com temática livre e, realmente, quando falamos em temática livre não há como quantificar os “layouts” possíveis. Mas infelizmente, aqui também mora um problema: a utilização de rochas, troncos e outros enfeites que não são próprios para o aquarismo, podendo gerar problemas aos animais e ao próprio equilíbrio do aquário, prejudicando o ambiente.

4. ALIMENTAÇÃO

Mesmo levando em conta todos esses três assuntos abordados, algumas vezes surgem comentários como “não adianta, esta espécie de peixe não dá certo em meu aquário”, “apesar de sempre recomendarem tal peixe, no meu comunitário eles não duram muito”. Pode ser o caso de um problema envolvendo a alimentação ou a forma como ela é feita , por exemplo. Um possível problema é ter uma espécie que é dominante durante a alimentação e que, portanto, fica com a maior parte da comida diária oferecida, deixando espécies mais tímidas com comida insuficiente e por isso acabam enfraquecendo e morrendo. Espécies que são ou se tornam muito dominantes perante outras podem não aceitar novos indivíduos ou mesmo começar a atacar espécies já presentes.

Também há o caso de animais com hábitos alimentares noturnos e sem saber disso o aquarista só alimenta durante o dia, obrigando essas espécies noturnas a sobreviverem de sobras de alimento, o que é muito prejudicial para a saúde.

5. NOVOS INDIVÍDUOS

Levando em conta essas dicas e mantendo os cuidados básicos do seu aquário comunitário, pode ocorrer a famosa “febre do aquarista” e você querer adicionar novos indivíduos das espécies que já estão em harmonia, seguro de que essas espécies convivem bem, você adiciona os novos, observa por um tempo e vai descansar. No dia seguinte, parece tudo diferente, peixes estão machucados ou morreram e parece que o equilíbrio deu espaço para uma disputa mortal. 

Apesar de os peixes conviverem em seu aquário, existem espécies que pegam partes do aquário como seu território e até conseguem suportar alguns indivíduos esporádicos passando pela sua área, mas ao soltar mais peixes no aquário, começa a todo momento algum peixe passar pela área daquela espécie, e isto os irrita ao ponto de atacarem, então essa espécie percebe que conseguiu o que queria, ou seja, “por ordem na área”. Então temos uma espécie que percebeu que pode atacar as outras, e assim, não tão raro, passam a atacar como nunca haviam feito antes para ficar com todo aquário. Ainda em relação a soltar novos indivíduos, pode ser que o aquário tenha um equilíbrio de forças entre espécies e graças a isso não ocorrem brigas sérias entre elas, mas ao soltar novos indivíduos de uma única espécie, esse equilíbrio acaba.

Sempre evite a lotação de um aquário comunitário, aquários superpovoados e com muitas espécies envolvidas podem se transformar em uma verdadeira dor de cabeça se você ainda não conhece bem sobre o aquarismo.