Lixo do pet shop e clínica veterinária: como descarta-lo corretamente? Aprenda!

Categoria: Administração

Autor(a): Júlio Mangussi | Colaborador(es): Jornalismo Top.Co. | Cidade: Campinas-SP | 20/04/2017 - 09:17

Entenda a importância de descartar corretamente os resíduos de pet shop ou clínica veterinária e quais procedimentos são exigidos pela legislação
Imagem meramente ilustrativa Stock photo © ismagilov

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Na revista Pet Center 188, perguntamos aos nossos leitores “Você descarta corretamente o lixo de seu pet shop ou clínica veterinária?”. A maioria afirmou que não tem certeza de qual é a forma correta. Confira no texto a seguir quais são as orientações para o descarte correto e os perigos de não fazê-lo da forma certa.


 

 

Assim como outros serviços de saúde, hospitais, clínicas veterinárias e pet shops também devem se atentar ao descarte de seu lixo. Isso é ser responsável com a sociedade e com o meio ambiente, já que alguns itens podem colocar em risco a saúde dos pets e da população em geral. Restos de pelos contaminados, remédios, vacinas, antissépticos e produtos químicos são alguns exemplos. Além disso, as empresas são obrigadas por lei a destinarem os resíduos corretamente. Por isso, cada etapa do procedimento precisa ser bem planejada. Aprenda, portanto, a maneira correta de descartar o lixo do seu pet shop ou clínica veterinária. 

 

 

O QUE DIZ A LEI?
 

Empresários do setor devem orientar toda sua equipe para evitar o descarte inadequado. É necessário atentar-se à legislação que regulamenta o controle do impacto ambiental causado pela disposição inadequada de resíduos sólidos. Por exemplo, a lei nº 12.305, de agosto de 2010, instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS. 

Duas resoluções estabelecem critérios para a destinação correta das embalagens de produtos veterinários: a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 358/2005 e a RDC nº 306/2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A norma determina que cada empresa se comprometa a classificar seus resíduos, a quantificá-los e a destiná-los corretamente. 

A Comissão de Saúde Pública Veterinária do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNSPV/CFMV) explica que os estabelecimentos veterinários estão obrigados a ter um  plano de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde (PGRSS). Nele, os resíduos são segregados segundo as características físicas, químicas, biológicas, estado físico e riscos envolvidos.

 

PLANEJAMENTO
 

O tratamento e a disposição final de cada material descartado deve seguir as regras determinadas pela Anvisa. Para isso, é necessário contar com o auxílio de empresas especializadas, que destinarão o lixo em locais licenciados por órgãos reguladores. 

De acordo com a CNSPV/CFMV, os resíduos devem ser acondicionados em sacos plásticos, impermeáveis, resistentes à ruptura e vazamento, com identificação de seu conteúdo, diferindo-se apenas em suas cores. Eles são divididos nos seguintes grupos: 

 

A) Infectante: Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que apresentam risco de infecção. Exemplos: culturas e estoques de microrganismos; carcaças, peças anatômicas e vísceras; órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, resíduos decorrentes do setor de banho e tosa, como pelos e unhas. 

• Acondicionamento: Sacos plásticos de cor branca leitosa.

 

B) Químicos: Resíduos cque contenham substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características e graus  de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Exemplos: Alguns remédios, antissépticos, vacinas, xampus para cães, entre outros. 

• Acondicionamento: Sacos plásticos de cor laranja ou recipiente rígido e estanque, compatível com as características do produto descartado. 

 

C) Não usual: Refere-se a resíduos que contêm agentes radioativos.

 

D) Sem risco: Resíduos que não apresentem risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Exemplos: restos de alimentos e lixo de escritório. 

• Acondicionamento: Sacos plásticos de cor preta.  

 

E) Afiados: Materiais perfuro-cortantes ou escarificantes. Exemplos: agulhas, ampolas de vidro, lâminas de bisturi, micropipetas, tubos de coleta de sanguínea, entre outros. 

• Acondicionamento: Recipientes rígidos, selados, para evitar cortes, perfurações e vazamentos.

 

F) Pets: Animais inteiros mortos naturalmente ou submetidos à eutanásia. 

• Acondicionamento: Sacos plásticos ou caçamba com tampa, ou ainda qualquer outro recipiente resistente, impermeável, de fácil identificação.  

 

Até a eliminação, os sacos precisam ser armazenados de maneira segura, em locais cobertos. A orientação é que a coleta de tais resíduos seja diária, ou, se preciso, mais de uma vez ao dia.

O lixo se despede do pet shop por meio de uma empresa terceirizada. A frequência do recolhimento varia conforme a quantidade produzida pela loja, que pagará de acordo com o peso do lixo recolhido. Ele precisa de tratamento antes de ser, finalmente, eliminado. O intuito é acabar com os microrganismos nocivos ao meio ambiente. Tanto o tratamento como a disposição final são de responsabilidade das empresas especializadas que prestam serviço ao pet shop. 

O CFMV aborda o tema a partir da Resolução nº 1.015, de 2013, que determina que os hospitais e clínicas veterinárias mantenham equipamentos de refrigeração para a manutenção de restos de tecido e cadáveres de animais, até seu recolhimento pelo serviço de coleta especializada. O documento define ainda que os hospitais, clínicas, consultórios e ambulatórios veterinários deverão também manter convênio com empresa devidamente credenciada para recolhimento de cadáveres e lixo hospitalar.

Muitos donos de animais desejam prestar uma última homenagem a seus companheiros pets. Contudo, nem todos destinam seus corpos da maneira correta, sepultando-os em locais inadequados. Por isso, é necessário orientar os tutores sobre os perigos das possíveis contaminações que tais ações podem causar.  

 

PERIGOS DE DESCARTE INADEQUADO

 

O descarte inadequado do lixo pode gerar muitos problemas. É possível ocorrer contaminação por meio da presença de endo e ectoparasitas encontrados nas fezes e nos pelos contaminados com microrganismos, por exemplo. Animais doentes que venham a falecer também podem oferecer risco de contagio, dependendo da doença. 

A médica veterinária Elma Polegato, integrante da Comissão Nacional de Meio Ambiente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNMA/CFMV), explica outros riscos.  “O problema principal está na contaminação do solo e dos lençóis freáticos, cuja água será usada pelos animais, pelas pessoas e para a irrigação. Por serem substâncias químicas, podem ser cumulativas no organismo humano e animal, podendo levar a problemas graves de saúde, como o aumento da ocorrência de câncer”, afirma. Além disso, vale ressaltar os perigos de ferir pessoas que fazem parte da rotina da empresa. “Perfuro-cortantes, como agulhas e frascos de vidro, podem causar lesão nos próprios funcionários da empresa, além daqueles que recolhem o lixo. Da mesma maneira é preciso atentar-se aos vazamentos de produtos químicos”, completa o médico veterinário e secretário geral do CFMV, Marcello Rodrigues da Roza.

É responsabilidade do médico veterinário evitar o uso indiscriminado de produtos químicos e seguir as recomendações para o descarte ambientalmente adequado conforme a legislação, garantindo a preservação da qualidade do meio ambiente, minimizando os riscos à saúde pública, à segurança e à saúde ocupacional. 

A RDC nº 306 da Anvisa também prevê que os resíduos químicos que apresentem risco à saúde ou ao meio ambiente no estado sólido, quando não tratados, devem ser dispostos em aterro de resíduos perigosos, Classe I.

Marcello lembra ainda que as sobras de produtos ou medicamentos vencidos devem ser devolvidas para o fabricante, processo conhecido por logística reversa. Enquanto que, no caso de medicamentos controlados, devem ser entregues para a vigilância sanitária da localidade. “Depende do produto, mas anestésicos e analgésicos, por exemplo, se enquadram nesses medicamentos.” 

Ficou com alguma dúvida? Informe-se na Anvisa sobre as regras do seu negócio e procure regularizá-lo no órgão ambiental de seu município.

AGRADECIMENTOS:

Elma Polegato
Médica veterinária, integrante da Comissão Nacional de Meio Ambiente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CNMA/CFMV)

Marcello Rodrigues da Roza
Médico Veterinário e secretário geral do CFMV 

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