quarta-feira, abril 17, 2024
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Felinos: lucre mais Com esse segmento

Foto: Nils Jacobi/iStockphoto.com

Esse nicho não pode mais ser tratado como secundário na sua loja!

As pesquisas realizadas no segmento apontam, há algum tempo, um crescimento importante do setor de felinos no Brasil. A estimativa é, inclusive, que haja mais gatos em lares brasileiros que cães em um futuro próximo. “A projeção para 2030 é de 71 milhões de gatos no Brasil”, aponta Marcello Comodo, Diretor Comercial da Tecnew no Rio de Janeiro, cuja região é a segunda mais forte no segmento felino, logo após São Paulo. “Na Tecnew, a maior concentração de atendimento fica em São Paulo com 21%. O RJ, onde estamos, tem 9% seguido de Minas Gerais com 7%”, aponta. “O mercado de felinos está crescendo em velocidade bem maior do que o de caninos, pois as pessoas estão descobrindo como os gatos são dóceis, companheiros, mais fáceis de cuidar do que os cães. Eles não fazem tanto barulho, cuidam da própria limpeza, ficam bem sozinhos durante o dia enquanto os tutores trabalham fora, comem várias vezes ao longo do dia, portanto podemos deixar comida no pratinho sem problemas. E os lojistas podem orientar melhor os futuros tutores sobre as vantagens de se ter um gato de estimação”, comenta Lucila Doneux Santos, Gerente Comercial da Tecnew em São Paulo, região que abriga muitas clínicas e hospitais “referência” no tratamento de felinos. “Há muita procura por parte dos veterinários em eventos, cursos e palestra sobre gatos. É uma região bem forte no segmento, mas com muitas oportunidades de crescimento ainda”, aponta.

Tal perspectiva afeta diretamente toda a cadeia pet, que precisa acompanhar as necessidades desse público gateiro, que é bem exigente e também precisa de produtos que atendam seu pet com qualidade e eficiência – e isso vai muito além de ter ração e alimento úmido para gatos. “Com esse movimento mercadológico, lojistas do setor de pet shops e serviços, vêm adaptando-se à nova tendência; é um mercado que ainda está em ascensão, e que carece de informação e especialização”, opina Camila de Paula Santos Prinz, médica-veterinária, coordenadora técnica Pilar Profissional Royal Canin e consultora de vendas e felinocinotécnica na distribuidora Agrosul Catarinense, de Blumenau-SC. “O Sul do país está classificado em terceiro lugar com maior concentração de animais de estimação. Em Santa Catarina, temos a excelência na criação de felinos, criadores de referência, inclusive em nível mundial. Contamos também com ONGs e protetores específicos de felinos que executam um belo trabalho de resgate e doações”, compartilha Camila, que faz parte do departamento específico que atende o segmento felino dentro da Agrosul, algo vanguardista no setor.  

Desse modo, as prateleiras dos pet shops não podem mais ser dominadas pelo segmento canino e devem ter diversidade também para o gato. Afinal, cada tutor de gato gasta, em média, R$ 168 mensais com o pet, segundo pesquisa Radar Pet 2020, divulgada pela Comissão de Animais de Estimação (Comac). “Muitos lojistas já estão se especializando em atender os tutores de felinos, organizando um ‘canto do gato’ em suas lojas”, aponta Lucila. 

Aumente sua receita

O que um pet shop precisa fazer para abocanhar essa fatia do segmento felino, que cresce a cada ano e vender mais produtos e serviços para tutores de gatos? Marcello lembra que, basicamente, gatos gostam de três coisas: comer, dormir e brincar. “Portanto o pet shop deve se especializar nesses três pilares com um atendimento especializado, pois os tutores de felinos são muito mais exigentes e consumistas”, aponta. Ainda segundo ele, é importante ter produtos que agregam valor e de ótima qualidade na loja. “Esses tutores (de gatos), de modo geral, são mais exigentes quanto à qualidade dos produtos e serviços oferecidos aos seus pets, então sempre é conveniente oferecer o que se tem de melhor na loja”, reforça Lucila.  

Segundo Camila, no segmento felino, informação é a chave do negócio. “O empresário precisa entender as necessidades do mercado, e desenvolver estratégias específicas, bem elaboradas e estruturadas, pois os tutores de gatos não são atraídos exclusivamente por preços e promoções, além disso desejam qualidade, característica que está diretamente ligada à saúde e longevidade do público felino”, explica.  

Equipe bem treinada

Como sempre, treinamento é a chave do negócio, também para crescer no próspero segmento felino. “O objetivo do treinamento é fornecer atendimento de excelência ao cliente final, aliado à oferta de produtos, artigos, e serviços de luxo, que por sua vez, possuem valor agregado”, detalha Camila. Ainda segundo ela, vários fatores influenciam na atração e fidelidade do tutor felino, e a exclusividade é o principal fator. “Tanto na estrutura como nos serviços diferenciados, gerando experiência positiva de atendimento personalizado ao cliente. O mercado de luxo pet é a prova disso”, diz. 

Conheça seu cliente

É igualmente importante “mapear os tutores perto de seus estabelecimentos, ofertando produtos de valor agregado e com atendimento especializado”, ressalta Marcello. “Isso o ajuda a identificar a melhor estratégia, pois temos desde o tutor devotado até protetores de felinos abandonados”, ressalta. “Vale lembrar a máxima: ‘gatos não são pequenos cães’”, diz Lucila. 

Camila ainda lembra que muitos estudos sinalizam os tutores de gatos como tendo perfil mais exigente, que anseia por informações, atendimento personalizado, e que quer oferecer o melhor para os “bichanos”. “Quem ama cuida e investe”, aponta.

No digital

Muito importante também que as lojas tenham um CRM dos clientes, aponta Lucila, sejam tutores de gatos ou de cães, para que possam conhecer seus principais clientes. “Vimos que, por exemplo, quando as pessoas ficaram em home office no início da pandemia, muitos lojistas se desesperaram porque não tinham dados dos clientes para fazerem um delivery eficiente”, ressalta. Assim, ter uma estrutura de mídia digital ajuda muito na divulgação da loja, captação de clientes e aumento das vendas, garante Lucila. “A loja pode disponibilizar material educativo, novidade de produtos e serviços via digital, praticamente sem custo, aumentando, assim, seus negócios”, acrescenta.

Aliado a tudo isso, oferecer muito treinamento e um atendimento especializado através do conhecimento quanto ao comportamento, patologias e necessidades dos felinos e seus tutores, é algo imprescindível para lucrar nesse mercado, acrescenta Marcello. “Tutores de gatos, quando gostam da loja e do atendimento, indicam o PDV para muitos outros ‘gateiros’”, lembra Lucila.

Erros básicos

 Para aumentar sua receita na venda para tutores de felinos é importante ficar atento a alguns erros básicos. Marcello aponta a mistura de canais (cão e gato), a falta de um atendimento especializado, falta de variedades de brinquedos e de qualificação sobre ração, principalmente úmida, pois o gato tem por natureza essa predileção, como erros muito comuns. Oferecer o produto “mais barato”, não fazer atendimento personalizado aos tutores e desconhecer os produtos que estão oferecendo também são erros detectados por Lucila. “Tutores de gatos costumam só aceitar medicamentos com indicação para felinos expressa na embalagem. Então, oferecer um produto indicado para cães ‘mas que pode ser dado para gatos’, sem um bom embasamento técnico, é um erro”, exemplifica Lucila. Camila concorda, e ressalta que a falta de informações específicas ligadas à espécie felina; falta de clareza na indicação de produtos, e deficiência no pós-venda são erros muito comuns. “Em razão destes principais fatores, o público gateiro perde interesse e confiança, tanto no lojista quanto na marca do produto indicado”, aponta.

Informe-se

Lucila enfatiza a importância do lojista ou clínico veterinário estar sempre atualizado das novidades do mercado de felinos, participando de eventos específicos ou gerais de mercado, lendo mais, acompanhando mais os números de mercado. “Acredito que muitos lojistas ainda ficam muito no mundo deles, e perdem oportunidade de conhecerem mais o que ocorre fora de sua loja”, opina.

Por Samia Malas


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