terça-feira, julho 16, 2024
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NRF 2024: O QUE ACONTECE EM NOVA IORQUE NÃO FICA EM NOVA IORQUE

CONFIRA OPINIÃO DE ESPECIALISTAS QUE ESTIVERAM NO EVENTO E COMENTARAM OS PRINCIPAIS PONTOS DISCUTIDOS POR LÁ

Foto: Reprodução

Com mais de 40 mil participantes, 100 países,1000 expositores, 6.200 marcas, 450 palestrantes e 190 sessões de palestras ao longo de três dias, a NRF Big Show 2024, que acontece todo ano em Nova Iorque, Estados Unidos (EUA), confirmou seu posto de maior e mais importante evento de varejo do mundo em sua 114ª edição e com o tema “Make it Matter” (“Faça Valer a Pena”). “No evento, estiveram 3.000 brasileiros do setor varejista, que foram conhecer as tendências, traduzi-las para a realidade do negócio, priorizar ações aplicáveis, documentar highlight, transmitir dados para suas equipes e imaginar o futuro do mercado”, acrescenta Morgana Linhares, especialista em Vendas, Liderança e Mudança Comportamental de Equipes, de Belo Horizonte-MG. Ainda segundo ela, nos palcos, grandes nomes compartilharam um pouco de sua experiência profissional, como a nova presidente da Levi Strauss e Co, Michelle Gass; RajS ubramaniam, Presidente e CEO da FedEx Corporation; Michelle Evans, Líder Global de Varejo da Euromonitor International e Magic Johnson, astro da NBA e maior ídolo dos Los Angeles Lakers (além de empreendedor de vários nichos, desde alimentação até produtos esportivos).

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“A NRF 2024 ofereceu, mais uma vez, uma análise profunda no futuro do varejo”, diz Morgana Linhares, da ML Capacitação de Pessoas e Evolução de Negócio


Para Thiago Raitez, diretor comercial e sócio da Father & Company Brasil, de Blumenau-SC, este ano a agenda da NRF se centrou muito na eficiência do negócio, focada em resultado. “Nesse sentido, a Inteligência Artificial (IA) vem muito para potencializar os processos para que as empresas possam, de fato, buscar esse resultado. E o cliente tem papel determinante nesse contexto. Se a gente não ouvir o cliente, criar uma jornada para ele dentro da empresa, não vamos ter resultado. O cliente precisa estar no centro para que se desenvolva uma estratégia eficiente que direcione o negócio para novos patamares”, aponta Thiago.
Para Edmour Saiani, consultor, palestrante e dono da agência Ponto de Referência, em São Paulo-SP, embora a discussão sobre a loja física tenha lhe chamado mais a atenção, a hype do momento foi a Inteligência Artificial. “A IA virou self–service de vez, que deve ser usada com cuidado, mas usada. As aplicações ainda não são generativas, ainda são analíticas e de compilação do que já existe, mas foi o tema da vez”, atesta Edmour.
Para Morgana, a Inteligência Artificial também foi a grande protagonista e destaque em praticamente 80% das palestras. “Dentro do vasto campo da IA, surge uma área de destaque: a Inteligência Artificial generativa. Foi possível ver avanços significativos na criação de conteúdo de produto, incluindo a ambientação de produtos com pessoas e cenários. Essas inovações não apenas agregam valor à experiência do consumidor, mas também fortalecem a conexão emocional entre o cliente e os produtos oferecidos”, revela Morgana, que traz ainda uma outra questão: “a IA também foi considerada ‘uma faca de dois gumes”. Enquanto traz milhares de soluções que contribuem tanto para revolução tecnológica, quanto para as questões cotidianas; a IA também gera dilemas sobre a segurança, desinformação e falta de privacidade. 42% dos especialistas em IA nos EUA demonstram empolgação e preocupação com a evolução dessa tecnologia. Esse foi um dos tópicos que Andrea Bell, vice-presidente de Consumer Insights da WGSN, empresa líder em previsão de tendências e dados analíticos, explorou em seu discurso no terceiro dia da NRF 2024. Bell destacou que, dentro de 10 anos, a gestão de ‘humanos virtuais’, mercado estimado em 440 bilhões de dólares, se tornará uma realidade em setores de entretenimento, educação e saúde. No entanto, ela deixa um questionamento importante: até que ponto isso preserva a transparência e a autenticidade das empresas?”, revela Morgana.
Outro ponto de atenção levantado pela especialista em vendas e liderança, é o chamado “inteligência de enxame”. “O uso da tecnologia para disseminação rápida de informações também se estende à desinformação, provando que o avanço desses recursos representa um desafio, ainda mais no quesito segurança. São muitas as lições que o avanço da Inteligência Artificial tem ensinado para as empresas, mas sem dúvidas a maior preocupação ainda é em como se certificar que esse crescimento não reduza a segurança e o cuidado com o cliente”, acrescenta Morgana.

Edmour Saiani e, abaixo, quadro feito por ele que traz o checklist do que a loja do futuro deve ser/ter,
com dicas retiradas da NRF 2024

RETAIL MEDIA EM FOCO
Outro tópico relevante que dominou as discussões segundo Morgana foi o conceito de Retail Media. “Trata-se da metamorfose dos varejistas em veículos de comunicação, buscando monetizar suas audiências, seja através da venda de espaço publicitário ou compartilhamento de dados. Grandes players, como a Amazon, têm liderado esse movimento, com trabalhos espetaculares e outras marcas estão seguindo a mesma estratégia, reconhecendo o potencial desse modelo. Andrew Lipsmann, da Insider Intelligence, mostrou que esse é um mercado que deve saltar de US$ 30 bilhões para US$100 bilhões nos próximos dois anos”, aponta.

“A grande diferença da NRF 2023 para a NRF 2024 é que ano passado muito se falou em
Back to Basic, que é fazer o básico bem-feito e, este ano, ela se centrou muito na eficiência do
negócio, focada em resultado”, aponta Thiago Raitez, da Father & Company Brasi

PALESTRAS MAIS DISPUTADAS
Para o diretor comercial Thiago Raitez, a palestra que mais chamou sua atenção foi a dada por Michelle Gass, presidente da Levi’s Strauss &.
“Segundo Michelle Gass, hoje o mais importante, além da eficiência da operação, é manter o core do negócio e o fortalecimento da marca. O pós-pandemia mostrou isso: as marcas fortes potencializaram seus negócios. Muito se fala em expansão de segmentos e essa marca tão representativa em um segmento específico, mas que é referência de mercado de maneira geral, foca no fortalecimento da marca, no cliente, no seu core business”, comenta o diretor comercial.
Já Morgana Linhares diz que uma das palestras mais disputadas da NRF 2024 foi a de Michelle Evans, líder global de varejo da Euromonitor International, empresa especialista em pesquisa de mercado desde 1972. “Dentre as várias tendências citadas por ela, oferecer uma experiência positiva é a questão de maior destaque, onde o cliente deseja um processo sem falhas desde o cadastro até a conclusão do pedido. Evans lembrou sobre a necessidade constante de adotar estratégias de coleta de dados que sejam responsáveis e direcionadas, usando a própria IA como aliada enriquecedora para o comprador. O Recommerce 2.0 também foi abordado por Evans. Os consumidores estão mais preocupados com as questões financeiras, o que está levando a uma evolução nas revendas. Ele também está mais digital e antenado às questões de sustentabilidade. Isso chega a um fator comum: as gerações mais jovens estão sendo levadas à revenda como valor de economia e sustentabilidade”, destaca Morgana, que continua: “de acordo com a Euromonitor, 41% de profissionais de varejo afirmaram que a empresa planeja investir em sustentabilidade e iniciativas do tipo nos próximos cinco anos. Michelle recomenda que as marcas considerem entrar ou expandir para o ‘recomércio’ em 2024. A executiva aponta que é preciso inovar com os novos recursos para simplificar o processo de revenda para consumidores. Isso inclui comunicar ativamente as iniciativas de revenda em mensagens de sustentabilidade”.

EMPODERAMENTO DAS LOJAS FÍSICAS
Por fim, Morgana ainda aponta mais uma abordagem que ganhou destaque, que foi o uso da tecnologia para empoderar o time de lojas físicas. “Ao proporcionar mais dados e recomendações precisas sobre produtos, os vendedores são capacitados a entender melhor os clientes, resultando em interações mais personalizadas e eficientes. Essa utilização estratégica da tecnologia aproxima os vendedores dos consumidores e os torna mais eficazes no momento da venda”,finaliza Morgana.


Por Natália Miranda