domingo, maio 26, 2024
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Balanço 2020: prepare-se para 2021 já!

Foto: Dilok Klaisataporn/iStockphoto.com

Pandemia da covid-19 trouxe dificuldades e exigirá mudanças dos lojistas para os negócios em 2021

A pandemia do novo coronavírus em 2020 transformou o mundo e as pessoas de muitas maneiras, e talvez ela tenha deixado uma lição definitiva para as empresas, sejam elas pequenas, médias ou grandes: o planejamento financeiro nunca foi tão essencial. Os impactos de uma crise que surgiu tão inesperadamente foram sentidos por todos, mas aqueles que estavam mais bem assegurados e preparados tiveram mais sucesso ao tentar sustentar as finanças diante de tantas mudanças e prejuízos. E esta pode ser a diferença entre conseguir atravessar um período turbulento ou fechar as portas definitivamente.

Diante de um ano tão atípico e complexo, já é hora de fazer o balanço anual e começar a se preparar para 2021. De acordo com Márcio Iavelberg, fundador da Blue Numbers Consultoria Especializada, o planejamento da empresa para o ano seguinte deve ser iniciado no fim do anterior, “para que a partir dos primeiros dias de janeiro, ele já possa ser executado. Se você esperar janeiro para ir atrás daquele fornecedor que você precisa, talvez só comece a trabalhar como pretendia em março. Aí seu planejamento já começa comprometido”.

BALANÇO 2020

Antes do planejamento, é preciso levantar os dados financeiros de 2020 da empresa. E, para muita gente, não será uma tarefa fácil. “O balanço deste ano vai ser feio para muitos. Mas devemos lembrar que vai ser para o mundo inteiro. O impacto negativo deve vir e talvez ele vá ser carregado para 2021. As contas vão permanecer e será preciso fazer renegociações com fornecedores, bancos. Teremos que ter cuidado para tudo não virar uma grande bola de neve”, pondera Paulo Mendonça, consultor em gestão de negócios na Consultoria Ponto de Referência. “Com os dados do balanço, será possível montar um plano de contingência para lidar com 2020 e estabelecer melhorias para a empresa. Não importa se será a partir do Plano A, do Plano B ou do Plano Z”, explica ao deixar claro que a análise das informações deverá ser profunda e que talvez seja necessária a aplicação de mais de uma estratégia. 

Para montar o balanço, devem ser consideradas as informações de faturamento total, impostos, custos fixos (salários, aluguel, água, energia, manutenção) e custos variáveis (taxa de cartão, serviços terceirizados, comissões sobre vendas). Uma planilha de DRE (demonstração do resultado do exercício) é muito importante nesse momento.

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Parece básico, mas é fundamental que o empresário entenda profundamente todos aspectos do seu negócio. “O empreendedor brasileiro geralmente é muito bom tecnicamente. Sabe vender muito bem, conhece seu produto, mas muitas vezes lhe faltam conhecimentos de gestão para que a empresa funcione de maneira saudável”, explica Paulo. Administrar bem a equipe de colaboradores, criar estratégias para aumentar o ticket médio de venda e gerir o estoque são apenas alguns dos aspectos de gestão que precisam ser conduzidos com assertividade.

Além disso, o conhecimento do comportamento do seu público nunca foi mais urgente. Para exemplificar a falta dela por profissionais do ramo pet, Márcio conta sua experiência pessoal. “Eu tenho um cachorro e toda semana, há 6 anos, levo ele no mesmo pet shop para que tome banho. Ali, eu só gasto com banho, mas é claro que ele não vive só disso. No entanto, o pet shop, ainda que tenha diversos produtos à venda, nunca me ofereceu nada a mais – nem mesmo durante este período de pandemia em que nenhum cliente tem entrado fisicamente dentro da loja, só os animais. Eu compro ração, petiscos e produtos pet variados em outros locais porque consigo melhores preços, mas fico surpreso que a loja que eu frequento há anos não tente negociar comigo, um cliente já fidelizado, outras vendas que poderiam ser muito benéficas para ambos os lados”. Proporcionar uma ótima experiência de compra para o cliente significa entender as suas necessidades e preferências, e agir para atendê-las. 

Foto: Olivier Le Moal/iStockphoto.com

SE PREPARE PARA MUDANÇAS

Para sair de uma possível crise de 2020, será preciso ir além de entender quanto custa a empresa e quanto ela precisa faturar, pois o que funcionava antes pode não funcionar mais agora. “Precisamos repensar, e também diferenciar, a oferta de produto tangível, físico e de serviço. A pandemia deixou claro que um pode ser facilmente adquirido remotamente, enquanto o segundo não. O que é de fato o meu negócio depois dessa pandemia? E o que o meu cliente quer agora?”. Para Paulo, as respostas destas perguntas podem dar um direcionamento para o empresário entender quais caminhos deve seguir. E que mudanças podem ser inevitáveis. “O cliente que aprendeu nesses últimos meses que é fácil, conveniente e até mais barato comprar on-line, pode não voltar a comprar produtos básicos na loja física”. 

Com informações e análises em mãos, é hora de fazer o planejamento. Márcio revela este deve ser feito para todos os meses do próximo ano, considerando as variáveis do período, como feriados, reajustes de preços, 13º dos funcionários, entre outras. Tudo deve entrar no planejamento. “O mais importante de planejar a expectativa de faturamento não é acertar ela, mas sim ter um ‘norte’. Se a minha receita for ‘tanto’, vou fazer isso. Se não for, vou ter que seguir outro caminho”. O planejamento prévio tenta criar possíveis cenários financeiros para a empresa e soluções para cada um deles. Desta forma, mesmo diante de situações desafiadoras, o empresário tem ferramentas para tomar a decisão mais acertada.  

Existem duas formas de planejar o próximo ano da empresa, explica Márcio. A primeira é o planejamento com uma base histórica. levando em consideração as informações coletadas do ano ou anos anteriores, erros e acertos. É necessário aumentar o quadro de colaboradores? É possível diminuir os custos com aluguel de espaço? Como aumentar o ticket médio gasto pelos meus clientes? Outra maneira é o planejamento “do zero”. Aqui, deixa-se de lado – mas não completamente – muitas das informações anteriores para se focar nos objetivos da empresa para o futuro. “Se prender ao histórico pode ser problemático, pois isso pode ser um impeditivo para efetuar mudanças necessárias. Quem disse que a forma como a empresa estava sendo conduzida era a melhor? Este planejamento demora mais para ser feito, é preciso repensar o negócio do zero, recriar”. Talvez diante de tantas mudanças no comportamento do consumidor, que foi redefinido em 2020, essa possa ser a melhor estratégia.

O planejamento prévio é essencial, mas isso não significa que ele não deve ser revisado vários vezes ao longo do ano para que possa ser reavaliado e corrigido diante de novas informações e situações. “Não é porque eu planejei que não devo mudar conforme o que vemos. Este ano é um exemplo claro de como as coisas mudam bruscamente”, avalia Márcio. O consultor explica que, mesmo sem grandes acontecimentos, é interessante revisar o planejamento anual a cada dois ou três meses. 


Agradecimento:

Márcio Iavelberg
Consultor fundador da Blue Numbers, consultoria especializada em gestão empresarial de pequenas e médias empresas. Formado em Administração, tem MBA em Finanças pela USP e especialização de Direito Tributário pela FGV. 

Paulo Mendonça
Palestrante e Consultor associado da Ponto de Referência, com 20 anos de atuação em consultoria de gestão de negócios e franquias. Formado em Administração pela UFF, tem MBA em Contabilidade e Finanças pela FGV.


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