quinta-feira, maio 30, 2024
Caderno Regional

Mercado Pet Nordestino é foco de Investimentos e Inovação

Região representa 27% da população brasileira e tem atraído muitas empresas do setor pet

Foto: Adriano Gadini por Pixabay

Que o Nordeste é um dos principais destinos para o turismo no Brasil, tanto de estrangeiros como dos próprios brasileiros, nós já sabemos. Segundo dados do Info Nordeste 2022, lançado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), o Nordeste representa 27% da população brasileira. A Bahia é o estado mais habitado (com 15 milhões de pessoas) e o que abocanha maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) da região, 28%, seguido de Pernambuco (18,9%) e o Ceará (15,6%). O estudo ainda aponta que Feira de Santana é o maior município nordestino e Salvador o mais populoso, e que 47,6% da população nordestina é composta por pessoas entre 25 e 59 anos e as mulheres são maioria por lá (29,3 milhões, enquanto homens somam 27, 8 milhões). Os idosos são minoria na população total do Nordeste representando apenas 13,2%. Em 2019 a atividade econômica que maior representou os estados é a de serviços e comércio (75%), seguido da indústria (18,5%) e agropecuária (6,5%). E é nesse cenário que as lojas e empresas do setor pet se enquadram, estados com foco no comércio e dotados de população jovem e adulta.

“Nosso mercado está em curva crescente com possibilidade de investimentos em áreas que ainda não são desenvolvidas em Alagoas”

Katheryne Wanderley de Cerqueira, da Nordescão distribuidora pet

Há 16 anos atuando no estado de Alagoas, Katheryne Wanderley de Cerqueira, diretora executiva da Nordescão distribuidora pet (fundada há 6 anos), define o setor pet nordestino como versátil, empolgante, porém aponta que ainda há muito a ser desenvolvido. “Nosso mercado está em curva crescente com possibilidade de investimentos em áreas que ainda não são desenvolvidas em Alagoas, por exemplo, certas especialidades veterinárias (como a gastroenterologia) que ainda temos profissionais em fase de especialização ou serviços diferenciados e mais naturais no banho e tosa como cromoterapia (para tranquilizar os cães), uso de produtos veganos, ofurô etc. Então, caminhamos para essa especialização. Hoje temos pet shops que não querem trabalhar com nenhum produto transgênico, por exemplo”, explica Katheryne, que ainda aponta o crescimento de serviços de banho e tosa móvel e de “leva e traz” nos pet shops de Alagoas. A diretora também aponta que houve crescimento em faturamento nesses anos de pandemia, porém, também cresceu a inadimplência. “Nosso crescimento comprovado foi de 16%. Também acrescentamos novos parceiros em nosso portfólio para atender a necessidade do mercado de atuação”, completa Katheryne, que aponta os setores de pet food, brinquedos funcionais e acessórios como os que mais crescem em demanda na região. “Acredito que cães ainda são os que detém maior número de lares nordestinos, porém existe o notório crescimento dos pets silvestres e felinos. “Os tutores têm investido mais no bem-estar dos seus pets, o que é percebido pelo aumento na procura de produtos e serviços especializados”, ressalta.

“No Nordeste o maior giro de produtos ainda está em pet food e os medicamentos também têm um excelente giro”

Humberto Barros Cavalcanti, da Distribuidora Massapê

Com sede em Recife-PE e filial em Petrolina-PE, a Distribuidora Massapê tem 9 anos de mercado, e atua nos estados de Pernambuco e Paraíba, com pretensão de expansão, segundo nos conta Humberto Barros Cavalcanti, sócio fundador da Distribuidora. “As particularidades da nossa região são várias. Ainda é um segmento muito técnico, de veterinários, produtos e os serviços dependem de informações técnicas para passar aos tutores multi-espécie, tornando o canal mais abrangente”, opina Humberto, que durante a pandemia, diz ter crescido quantitativamente e qualitativamente, em número de fornecedores, colaboradores e clientes. “No Nordeste o maior giro de produtos ainda está em pet food e os medicamentos também têm um excelente giro”, aponta o empresário, que percebe uma mudança no perfil do tutor na região. “O consumidor mudou, tanto para aquisição de produtos quanto pela busca do profissional que vai cuidar do seu pet. A qualidade da informação e atendimento ainda é o maior diferencial para manter clientes fiéis. A facilidade de uma pesquisa de preço ou serviço ficou muito mais fácil com o on-line. Isso torna o desafio gigantesco para empresários do setor que precisam buscar um nível de excelência nos serviços e produtos”, diz.

“Temos as maiores taxas de impostos do país, o que dificulta o crescimento e até mesmo a sobrevivência das pequenas empresas”

Jacilma Marques de Sousa, do Rei Dog Pet Shop


Jacilma Marques de Sousa, é proprietária do Rei Dog Pet Shop, fundado em 2 de junho de 2013 em Maceió-AL. Hoje, Jacilma está presente também no estado de Sergipe, em Aracajú, e pretende expandir para outras regiões do Nordeste. “Possuímos três unidades em Maceió e uma em Aracajú- SE, sendo que dia 10 de junho desse ano acabamos de inaugurar uma unidade em uma das avenidas mais movimentadas de Maceió, a Fernandes Lima. A nova loja possui uma área de aproximadamente 1600m2 e o maior centro de estética pet da cidade”, compartilha Jacilma, que entende que o mercado pet na região em que ela atua ainda está em expansão se comparando com os grandes centros. “Temos as maiores taxas de impostos do país, o que dificulta o crescimento e até mesmo a sobrevivência das pequenas empresas. Mesmo assim, já se desenvolveu muito e de forma exponencial”, opina. De acordo com ela, o Nordeste possui, em sua maioria, pet shops pequenos, mas, que procuram oferecer um bom atendimento, além de grandes lojas locais como a Rei Dog e outras redes vindas de fora, conferindo um mix de competitividade considerável na região. Mesmo assim, há espaço para todos crescerem e explorarem o mercado pet. A Rei Dog, por exemplo, apresentou crescimento de 30% na pandemia, cenário que Jacilma considera que foi pouco crítico para os negócios pet. “Fomos impulsionados pela vontade das pessoas em ter um pet no isolamento. Neste mercado extremamente competitivo há outras formas que nos faz crescer, principalmente, na diversificação de produtos e serviços, conscientização da nossa marca (redes sociais), fidelização de clientes, intensificação de vendas online/delivery e investimento em produtos e alimentos de qualidade”, acrescenta Jacilma, que percebe aumento no serviço de delivery, compras pela internet e procura por rações e petiscos 100% naturais. “Não se esquecendo que os tutores estão gastando mais em acessórios, cosméticos no embelezamento de seus pets que estão mais frequentes nos nossos centros de estético animal”, ressalta. Ainda segundo a empresária, os pets mais queridos no Nordeste são os cães, principalmente os da raça Shih Tzu, seguidos por gatos, pássaros, roedores e peixes. “Os tutores têm investido bastante no bem-estar dos pets. Percebemos isso devido a alta nas vendas e a exigências cada vez maior por alimentos premium, camas e acessórios confortáveis, brinquedos e produtos de higiene e saúde de boa qualidade”, finaliza.



“Nossos clientes gostam de se envolver com a marca Mundo Pet visto que experiência é nosso ponto alto”

Luís André Bastos, CEO da Mundo Pet

MEGALOJAS EM ALTA NA REGIÃO

Segundo o jornal Diário do Nordeste, lojas do mercado pet tiveram alta de 12% a 40% do faturamento entre março de 2020 e de 2021, de acordo com grandes varejistas do segmento em Fortaleza. E como um mercado em ascensão, as megalojas têm investido em peso na região. Uma delas é a Petland, em operação no Brasil desde 2014, que em 2021 vendeu 20% (com possível ampliação para 25% até o fim do ano) da marca no Brasil para o Grupo Jereissati, do Ceará, primeiro negócio da família Jereissati no mercado pet. “Com a participação financeira do Grupo Jereissati nas operações da Petland&CO, em 2022 daremos foco em quatro frentes de expansão, sendo uma delas a conversão de bandeira com financiamento próprio. Nossa meta é colocar em operação mais 100 lojas, entre novas unidades ou convertidas, das franquias de pet shop e clínicas veterinárias das marcas Petland e Dra. Mei, respectivamente”, aponta Rodrigo Albuquerque, CEO da Petland.


“Com a participação financeira do Grupo Jereissati nas operações da Petland&CO, em 2022 daremos foco em quatro frentes de expansão”

Rodrigo Albuquerque, CEO da Petland

Para atender o mercado nordestino a Petland concentra um centro de distribuição no Maranhão, que atende os nove estados em que a loja está presente – são 13 lojas instaladas no total, que representam 15% das vendas da companhia no Brasil. Até o fim de 2022, a Petland vai inaugurar mais sete lojas na região: três no Maranhão, uma em Teresina, uma em Fortaleza, duas em João Pessoa. “No momento, todas as lojas Petland são de rua, mas também temos interesse em expandir em shopping”, compartilha Rodrigo.
A Petz, fundada em 2002 por Sergio Zimerman, em São Paulo, é outra rede que tem expandido Brasil afora 42% das unidades da Petz já estão localizadas fora do estado de São Paulo. No fim de 2021, a Petz inaugurou sua primeira loja em Alagoas, no Parque Shopping de Maceió. Presente em 19 estados do País, a presença da Petz no Nordeste tende a crescer bastante, já que ao menos 50 lojas do Grupo devem ser inauguradas no país – e o Nordeste está neste radar.
Por meio dos Centros Veterinários Seres, a Petz também está presente na área veterinária no Nordeste. Das 185 unidades em 20 estados do país (sendo 14 hospitais), o Nordeste responde por 4 hospitais Seres e 14 mega pet shops.
Outra rede que tem forte presença no Nordeste brasileiro é a Mundo Pet, fundada em 2017, tendo sua primeira loja instalada na Bahia. Hoje, a empresa conta com 14 lojas somente no Nordeste, o que representa 82% do faturamento da rede, mas também tem presença no Norte e Centro-Oeste do Brasil. Segundo Luís André Bastos, CEO da Mundo Pet, até o final desse ano serão inauguradas mais 3 unidades no modelo Mega – lojas acima de 1000 m2 – em São Luiz, Maceió e Aracaju. “As expansões são resultado do nosso foco no adensamento, explorando tanto nosso modelo Mega como Pockets, lojas com área entre 300 e 600 m2”, aponta o CEO. Ainda segundo Luís, a região Nordeste exige que os pet shops tenham atendimento personalizado. “Nossos clientes gostam de se envolver com a marca Mundo Pet visto que experiência é nosso ponto alto, pelos eventos recorrentes, pela existência de cafés em nossas unidades e nossos parques, que são um grande sucesso em todas as praças”, finaliza Luís.


Por Samia Malas