terça-feira, julho 16, 2024
Aves e AquarismoCaderno Regional

Minas Gerais: Um mercado cheio de oportunidades

Minas Gerais é o maior fornecedor nacional de peixes ornamentais: são 12 milhões de unidades, em média, vendidas no Estado todo ano – Foto: Roberto Delamora/iStockphoto.com

Pela grande população e território, Estado tem muito a crescer, mas é preciso entender suas particularidades e desafios para atuar nele

Assim como o mercado pet nacional, Minas Gerais também experimenta crescimento acentuado pela pandemia. Contudo, esse mercado tem suas particularidades. Afinal, é o quarto maior Estado do Brasil, possui 853 municípios e uma população estimada de mais 20 milhões de pessoas. “A região Sudeste representa as maiores concentrações de pets com aproximadamente 47% do mercado brasileiro, sendo que Minas Gerais, tem, conforme pesquisas, de 7 a 10% de participação neste mercado. Isso reforça a importância do mercado mineiro no cenário nacional”, aponta Celso Basso, diretor da distribuidora Dog Minas, que aponta o segmento pet food como o mais forte no Estado – representando aproximadamente 60% – e o pet/vet e pet care 40%. Contudo, Celso alerta que o mercado mineiro é um tanto conservador e diferente de outras regiões do Sudeste. “Tem um forte apelo ao valor da mercadoria tendo este um papel importante na decisão de compra, dando abertura a entrada de produtos com foco em preço e não necessariamente na qualidade, já que a venda de serviços e venda de valor agregado ainda são um desafio a ser vencido”, acrescenta. 

“Minas Gerais é uma colcha de retalhos dado sua posição geográfica e sua relação com diferentes regiões do país. Tem áreas de influência de São Paulo, outras com Estados de GO e DF. E a região norte do Estado, com a Bahia. Essa interação torna o mercado um dos mais competitivos e com forte atuação de grandes atacadistas”, aponta Danilo Guedes Junqueira Júnior, médico-veterinário e sócio proprietário da distribuidora Master Pec. Ainda segundo Danilo, o segmento de banho e tosa é o que possui mais forte expansão no Estado. 

“Vejo Minas como um mercado em desenvolvimento, caracterizado por uma presença predominante de pequenas e médias lojas, o que torna fundamental o trabalho de distribuição para que as marcas possam chegar em todos os pontos de vendas”, opina Rodrigo Carvalho, proprietário da Solução Pet Distribuidora. Para ele, o tamanho do Estado é outro ponto que merece atenção das empresas do setor. “Percebo que há empresas distribuidoras com atuação regional em Minas Gerais, a maior parte delas cobrindo apenas parte do Estado”, revela. Por seu tamanho, Minas também é bastante diversificada, acrescenta Rachel Coli, gerente comercial Casa Vet Distribuidora. “Cada região tem um perfil diferente de cliente e, consequentemente, de forma de atendimento”, reforça. 

Polo de peixes ornamentais

Minas Gerais também é o maior fornecedor nacional de peixes ornamentais (Rio de Janeiro é o segundo polo). São 12 milhões de unidades, em média, vendidas no Estado todo por ano, segundo reportagem do Portal O Estado de Minas. Vanilson Ramos Gonçalves, proprietário da loja Eco Fish, em Belo Horizonte-MG, atua como atacadista e varejista e, como atende os dois canais, tem um bom panorama do mercado mineiro, que tem uma particularidade muito forte no aquarismo por ser o berço da criação de peixes ornamentais do Brasil. “A cidade de Muriaé é responsável por cerca de 90% dos peixes nacionais criados no Brasil”, aponta. Vanilson ainda explica que, pela grande quantidade de fornecedores de peixes, Minas Gerais é um polo muito competitivo no cenário nacional de aquarismo.

 “Eu sou paulista, já tive lojas em SP, e era refém de um ou dois fornecedores, pois nem todos tinham acesso à loja. Então sei bem a diferença. Em Minas, existem mais de 10 fornecedores-criadores de peixes ornamentais. Isso torna Minas, em especial, a cidade de Belo Horizonte, competitiva em termos de preços e qualidade de peixes”, aponta.

Foto: HuyThoai/iStockphoto.com

Perfil do consumidor

Em Minas Gerais os cães ainda são maioria, mas gatos vêm ganhando o coração dos mineiros, bem como as aves. “Assim como em outros Estados brasileiros, RJ e SP, os mineiros estão cada vez mais apaixonados por gatos. Ainda que os cães sejam maioria. Há também presença crescente dos pets não-convencionais, como aves e répteis”, atesta Danilo.

“A busca por soluções, produtos e serviços de alta qualidade para seus pets mostra que o mineiro é um grande pet lover”, garante Rodrigo. 

Celso aponta que houve aumento do ticket médio investido nos pets pelos tutores mineiros, uma vez que se tornaram grandes companhias valorizadas ainda mais no momento de pandemia. “Dificilmente você fala com alguém que não tenha um pet. A presença destes nas ruas, atividades esportivas, caminhadas, parques e até mesmo dentro das empresas são evidências desse amor mineiro pelos pets. Afinal de contas o mineiro foi criado muito próximo de animais, tendo esse vínculo já enraizado em sua cultura”, compartilha Celso.

“As empresas consolidadas em Minas Gerais são as que oferecem produto de boa qualidade, honestidade acima de tudo e preço justo, pois o mineiro é cuidadoso, ele analisa mais que o paulista na hora da compra. Quando você conquista aquele cliente, o boca a boca acontece e você consegue se manter nesse mercado tão competitivo”, opina Vanilson.

Segmento vet

Raquel tem percebido uma mudança no Estado, que considera bastante positiva, que é o aumento de clínicas veterinárias em Minas Gerais, inclusive em cidades pequenas. “Com isso, nós temos um aumento de clientes e os mineiros, um atendimento de qualidade para os pets de todas as localidades”, afirma. Ainda segundo ela, houve aumento de especialização de veterinários no atendimento de pets não convencionais. “Os veterinários de Minas também têm se preocupando com o ambiente cat friendly nos consultórios”, ilustra Raquel. 

Face a atuação de atacadistas e a alta capilaridade rodoviária, Danilo lembra que os lojistas mineiros têm oportunidades amplas para abastecerem suas lojas com prazos mais curtos de entrega. “Dessa forma a atividade de distribuição deve sempre priorizar marcas exclusivas, o que chamamos de bandeira da distribuidora. A indústria Veterinária que quer atuar no mercado pet deve permitir que os distribuidores tenham essa exclusividade”, revela.

Desafios

 Pelo grande território de Minas Gerais e número de lojas existentes, um dos grandes desafios de atuar nessa região é a logística. “O distribuidor deve oferecer alternativas que verdadeiramente possam agregar valor a toda a cadeia”, revela Rodrigo.

Já Celso aponta como grande desafio a busca por profissionais para atuação na área. “Muitas agropecuárias buscam adaptar-se a esse mercado, a abertura de pet shops é uma constante e o banho e tosa uma forma de serviço de atração de clientes, porém com grande desafio de profissionais para atuação na área. O mercado mineiro busca ainda por profissionais que possam somar para a evolução do segmento, tornando-o ainda mais desenvolvido quando comparado a grandes centros como São Paulo”, aponta. Além disso, Celso ainda aponta que as empresas mineiras passam por fortes dilemas quanto a chegada de grandes redes de lojas e mercado on-line. “Os dilemas estão em como continuar participando desse mercado em crescimento, competindo com preços desafiadores destas grandes redes e, ainda assim, profissionalizar e fidelizar seus atuais clientes. Os lojistas ainda precisam desenvolver-se muito nas estratégias de acesso ao cliente e trabalhos com a experiência do cliente em suas empresas”, revela. Ainda segundo ele, uma das formas de driblar a ameaça do mercado on-line, é investir na experiência de compra, para que seja agradável e com atendimento mais intimista. “O empresário deste segmento inevitavelmente precisa, de forma criativa, ter espaços que possuam comodidade, estacionamento, climatização, atendimento diferenciado, dentre outros pontos que proporcionem uma agradável experiência de compra, uma vez que o mercado on-line desafia essa proposta de intimidade com o cliente, com seus atrativos de preço e comodidade de entrega”, descreve.

Danilo concorda com Celso, e diz que o número crescente de pet shops traz o desafio de diferenciar-se dos demais existentes. “Há uma forte necessidade de clareza na comunicação de valor. Não é possível somente abrir um local e você não tiver algo inovador, transformador para oferecer”, finaliza.


Por: Samia Malas


Clique aqui e adquira já a edição 232 da Revista PetCenter/Groom Brasil e veja todas as reportagens na íntegra!