domingo, maio 26, 2024
Aves e Aquarismo

Como funciona a regulação térmica em aves?

Foto: JanJBrand/iStockphoto.com

Saiba mais sobre essa dúvida tão comum entre proprietários que possuem aves em casa

Queridos leitores, nesta edição vamos abordar um assunto bastante interessante e que costuma gerar bastante dúvidas entre os proprietários de aves: afinal, como elas regulam sua temperatura corporal? As aves domésticas são animais muito sensíveis, principalmente quando se trata de condições climáticas. Para começar, precisamos pontuar que a ave é um animal homeotérmico, ou seja, de sangue quente. Isso significa que estes animais conseguem manter a temperatura corporal interna constante, diferente dos répteis, que são animais pecilotérmicos (de sangue frio). Entretanto, o processo para manutenção do equilíbrio corporal só é eficiente quando a temperatura do ambiente está próxima as condições de conforto para as aves. Além disso, elas não possuem glândulas sudoríparas que são as responsáveis pela eliminação do suor e, consequentemente, pela termorregulação, assim como acontece no organismo dos seres humanos.  

Filhote de Sanhaço-do-coqueiro sendo mantido com aquecedor de gaiola, como uma fonte de calor externa – Foto: Arquivo pessoal da Birds & Cia

A temperatura das aves normalmente é “alta” se comparada a outras espécies de animais como nós, humanos, já que varia entre 39° e 42°C (dependendo da espécie), sendo essas as temperaturas de aves sadias. Mas afinal, quais mecanismos as aves utilizam para manter a temperatura corporal constante?

Como elas eliminam calor?

 A regulação da temperatura interna nas aves é importante para o bom funcionamento do organismo do animal, sendo essencial para que atividades metabólicas e enzimáticas funcionem corretamente, além de também atuar na regulação do ciclo circadiano (sono e vigília). Como não possuem glândulas sudoríparas, se utilizam de outras maneiras para eliminar o calor. As aves possuem um centro termorregulador, localizado no sistema nervoso central, que é responsável pelo controle dos mecanismos fisiológicos e reações comportamentais que controlam e mantém a temperatura corporal. Portanto, em casos de hipertermia, que é o aumento da temperatura corporal interna, os mecanismos utilizados podem ser: 

1- Aumento da frequência respiratória, que faz com que o animal troque o ar do interior com o ar do meio exterior. Dessa forma o ar presente nos sacos aéreos absorve o calor do corpo e o elimina através da expiração. Nesse caso, a ave se apresenta com o bico meio aberto;

2- Acondicionamento das penas bem próximas ao corpo, a fim de diminuir a camada isolante de ar, deixando o pássaro mais fresco. Desta maneira, uma maior quantidade de sangue será enviada para a pele e a respiração da ave se torna mais acelerada. 

Codorna Europeia se mantendo próxima à fonte de calor externa para controle de temperatura, nesse caso, um aquecedor de gaiola – Foto: Arquivo pessoal da Birds & Cia

3- Vasodilatação, que aumentará a troca de calor entre o sangue e o ambiente.

Entretanto, em casos de hipotermia, que é a diminuição da temperatura corporal interna, outros artifícios serão utilizados, dentre eles: 

1- Aumento da atividade muscular através do tremor; 

2- Vasoconstrição, diminuindo a superfície de troca de calor entre o sangue e o ambiente; 

3- Ereção das penas, que faz com que as penas criem uma camada de ar entre elas mesmas e a pele, já que o ar é um ótimo isolante térmico. Nesse caso, podemos observar uma postura comum das aves em situação de hipotermia, que são as “aves encorujadas”. Nesse mesmo momento, também há uma maior oxidação dos alimentos, para produzir mais calor, onde consequentemente se gasta mais energia. 

Aves doentes

 As aves doentes possuem maior dificuldade para manter a temperatura corporal dentro da faixa adequada, já que precisam dividir a energia que seria utilizada nesse processo para combater determinada afecção. Portanto, o esforço para manter a temperatura corporal utiliza a energia necessária para a recuperação do animal. 

Por esse motivo, aves doentes devem se manter aquecidas com fonte de calor externa (lâmpadas aquecedoras voltadas para gaiola, incubadoras com termostato regulável, aquecedores de resistência, etc.). É importante ressaltar que ao utilizar fontes externas de calor sem o uso de um termostato, deve-se evitar o aquecimento excessivo que pode ser um fator estressante e prejudicial para o animal. Além disso, é importante posicionar essas fontes de calor externa em um determinado local da gaiola/viveiro, para que a própria ave consiga delimitar uma temperatura que mais lhe agrada no momento. 

Diante de todas essas características, mesmo se tratando de uma ave saudável, é imprescindível o cuidado com esse animal em dias de temperatura muito elevada ou muito baixa. 

Dias quentes e frios

Em dias mais quentes, recomenda-se manter o animal e sua gaiola em um ambiente mais fresco. Não deixe o animal no sol durante todo o dia, principalmente nos horários mais quentes (por volta de meio dia – 12 horas),e tenha sempre a disposição do animal uma ou mais fontes de água limpa e fresca, para que o animal beba e possa se banhar quando sentir necessidade. No calor, as aves buscam sombras e lugares mais frescos, aumentam seu consumo de água e diminuem o consumo de alimento. Lembrando que não é recomendado manter esses animais em locais com ar-condicionado por um tempo prolongado pois pode levar a possíveis problemas respiratórios. 

Quanto ao uso de ventiladores, deve-se ter cuidado para não incidirem diretamente sobre a ave. A melhor forma é aproveitar a ventilação natural. 

Já em dias mais frios, devido à alta temperatura corporal dessa espécie, o inverno é uma das estações mais perigosas para as aves. A perda de calor é grande e elas ficam mais susceptíveis a doenças durante esse período. Primeiramente, não se deve deixar a ave exposta em locais com muito vento, correntes de ar frio, chuva e com umidade alta. Deve-se deixar sempre à disposição uma fonte de calor externa, como exemplificado anteriormente, de forma que o animal possa escolher em qual local do viveiro ou gaiola deseja se acomodar, ou permitir que a ave tome banho de sol nos horários mais frescos do dia. À noite, manter a gaiola na parte interna da casa/criatório, em um local protegido das correntes de vento, podendo ainda cobrir essa gaiola. Nessa condição de baixa temperatura, as aves buscam lugares mais secos, diminuem seu consumo de água e aumentam o consumo de alimento.

Como as aves domésticas ficam com a locomoção limitada por causa dos viveiros ou gaiolas que vivem, cabe ao proprietário perceber se seu animal está em condições adequadas e protegê-la de chuva, frio, correntes de vento e calor excessivo.  

 Por :

Colaboraram para este artigo as acadêmicas e estagiárias da Birds & Cia/NIAAS Ângela Azevedo, Rafaela Ribeiro, Thainá Gonçalves, Alexia Liu e Msc. Felipe Bath (CRMV-RJ 8772).


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