quinta-feira, maio 30, 2024
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Como atender o cliente que busca por lagos ornamentais?

Foto: IstockPhoto/Preston Hancock

Algumas informações básicas devem ser passadas ao cliente para que ele faça a melhor escolha para o seu lar 

Orientar um cliente sobre os primeiros passos para se montar um lago ornamental em casa é fundamental. Segundo Augusto Aparecido Tinfre, de São Paulo-SP, consultor de vendas da World Trotter, empresa que faz importação de produtos para aquarismo, caso o lojista não trabalhe com o segmento, o primeiro passo é orientar o cliente a procurar uma loja especializada em lagos. “Nem toda loja de aquarismo é especializada em lagos. Muitas lojas têm parcerias com lojas especializadas, assim, o projeto será discutido e desenvolvido com esses profissionais capacitados e o risco de dar errado é muito pequeno”, ensina.  

A seguir, veja algumas recomendações para a primeira abordagem com esse cliente:

  1. Análise do projeto

O espaço que o cliente pretende investir e transformar em um belo lago ornamental precisa ser bem analisado pela equipe técnica, ressalta Augusto. “Aquários e lagos são elementos decorativos, valorizam o imóvel, o ambiente e trazem bem-estar às pessoas. Então precisam ser bem planejados para que o resultado seja positivo”, comenta.  

Arlette Farias, sócia proprietária da fishgarden, de Campinas-SP, concorda, e aponta que, antes de tudo, investiga todos os pontos do projeto com o cliente. “Nossa primeira pergunta é quais são os peixes que querem ter em seu aquário ou lago. A partir daí, estudamos junto ao cliente o tamanho, acessórios, filtragem, etc.  Isso é fundamental para um projeto eficaz, funcional e que atenda o gosto do cliente”, ressalta Arlette. 

2. Quanta água colocar?

Segundo Vanilson Ramos Gonçalves, diretor comercial da empresa Eco Fish Aquários e Lagos, de Belo Horizonte-MG, essa talvez seja uma das informações mais importantes que você precisa ter sobre o lago do cliente. “Todas as intervenções que o cliente precisará fazer serão proporcionais ao volume de água”, diz. 

3. Quantos peixes colocar?

Como em lagos o volume de água geralmente é muito maior que de um aquário, Vanilson diz que a quantidade de peixes se limita ao equilíbrio estético do conjunto. “Contudo, a fórmula bruta para o cálculo desta quantidade leva em consideração não só a quantidade de peixes, mais sim o tamanho deles”, enfatiza. Vale lembrar que alguns peixes crescem muito, como as carpas, tão requisitas em lagos. “Elas chegam no lago com 15 ou 20 cm, mas podem alcançar até 1m20, quando adultas, precisando de um volume de até 1.000 litros d’água. A conta que faço é 1 cm de peixe para cada 2 litros de água”, ensina Vanilson. “O ideal é que se tenha no lago vários tipos de peixes, de tamanhos e cores, pois quanto mais colorido o lago, mais bonito será”, acrescenta. 

4. Escolhas das espécies

Todas as espécies de peixes que se adaptem a água com Ph neutro, que não sejam carnívoros ou agressivos, podem ser usadas no lago ornamental, comenta Vanilson. “Os tipos mais comuns são carpas e kinguios”, revela. 

5. Esterilizador UV, quando é necessário?

Esterilizadores UV ou filtros UV são utilizados apenas para o controle de algas, comenta Vanilson. “Recomendo que o esterilizador seja utilizado em lagos ornamentais onde o período de exposição direta ao sol seja superior a 3 horas por dia. 

6. Areia: qual colocar?

Não existe um tipo de areia específica para utilização em lagos de jardim, mais existem tipos mais indicados, explica Vanilson. “A areia disponível à venda no Brasil é, em sua maioria, proveniente do fundo de rios e represas, contudo podem surgir locais próximos ao litoral, onde a areia é vinda de praias. Estas não podem ser utilizadas para lagos ornamentais, pois a salinidade pode alterar o pH da água”, alerta. 

Na Eco Fish, Vanilson indica aos seus clientes a utilização de areia extra fina, com pH neutro. “Quanto mais fina e densa for a areia, menos haverá acumulo de sujeira, e os peixes (em especial as ‘carpas’) têm maior facilidade de fazer o pastoreio dessa areia, retirando alimentos, algas e as mantendo limpas por muito tempo. “Muitos ainda usam seixos de rios e outros tipos de pedras, mas elas acumulam sujeira e ficam verdes com o passar do tempo, fazendo com que o lago fique com aspecto de sujo e mal cuidado”, diz.

7. Custo do projeto

Essa pergunta é a mais difícil de se responder ao cliente, pois muitos fatores devem ser levados em consideração. “As medidas de comprimento, largura e profundidade são as principais características a serem analisadas, pois a partir delas serão calculados todos os equipamentos, sendo que a profundidade é a medida que mais aumenta a quantidade de água e, portanto, exige bombas e filtros mais potentes”, afirma Vanilson.  

A estética também é um ponto relevante. “A quantidade de plantas e pedras é o principal nesta categoria. Tenha em mente que ‘menos é mais’”, destaca Vanilson. “O ideal é fazer um lago que caiba não só no jardim do cliente, mais também no seu bolso. Um lago é um elemento vivo e em constante transformação”, finaliza. 


Por: Samia Malas

Agradecimentos:

Arlette Farias
Especialista em aquarismo de água doce, é sócia proprietária da loja fishgarden, ao lado de Cleber Soave Ferreira. www.fishgarden.com.br

Augusto Aparecido
Tinfre Aquarista Profissional com experiência de 30 anos no mercado pet.Atualmente Consultor de Vendas na Empresa World Trotter. www.wtrotter.com.br

Vanilson Ramos Gonçalves
Diretor comercial da Eco Fish Aquários e Lagos. Possuir vários cursos na área de aquarismo e Lagos ornamentais. www.ecofish.com.br


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