Canário doméstico: Universo de possibilidades


Canário Urucum vermelho intenso: umas das mais de 700 cores possíveis na espécie
Foto: Samuel Valentim/ Canaril Valentim

Curiosidades sobre essa espécie tão querida entre os apaixonados por aves

É uma imensa alegria para mim discorrer sobre os canários, uma vez que, desde a minha infância sou atraído por eles e, atualmente, dedico a minha vida à criação e ensino sobre a canaricultura.

Os canários (espécie Serinus Canarius) tiveram origem nas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol localizado no Oceano Atlântico, à oeste da Costa da África. Conforme José Carlos C. Kaiser, em sua obra O Guia Técnico do Criador de Canários (4ª edição, 1998), em 1402, foi por meio do navegador João Bittencourt que se teve as primeiras notícias sobre a existência dos canários, sendo que, em 1478, as Ilhas Canárias foram ocupadas pelos espanhóis que, identificando um canto melodioso, diferente de tudo que já haviam conhecido, recolheram alguns exemplares para criá-los, descobrindo a sua fácil adaptação ao ambiente doméstico.

O canário ancestral, descoberto nas Ilhas Canárias, é descrito pela literatura como sendo um pássaro que não excedia 12 cm de comprimento, de cor verde amarelado, pouco acinzentado, com penas escuras nas asas e cauda, bem como bicos e pés escuros, de canto melodioso e alto. 

Ao longo dos anos, tendo em vista os acasalamentos dos canários orientados pelo Homem em ambiente doméstico, surgiram diversas mutações que não afetavam somente a cor da plumagem, mas também tamanho, posição no poleiro, surgimento de topetes e cantos. Canários possuem uma extrema capacidade de variabilidade genética (surgimento de mutações), o que confere um fascínio pela espécie. Atualmente, conforme a determinação da Federação Ornitológica do Brasil (FOB), são reconhecidas mais de 720 cores, mais de 30 raças de porte (posição, topete, forma, penas frisadas, desenho) e três raças de canto (Harzer Roller, Timbrado Espanhol e Malinois).

Um canário doméstico que não se enquadra às determinações da FOB, é considerado “sem raça definida” (SRD), ou “comum”, ou popularmente conhecido como “pé-duro”, merecendo estes, obviamente, a mesma dignidade e tratamento adequado dos canários considerados de “raça”.

Canários belgas

No Brasil, canários são mais conhecidos como “Belgas”, o que é tecnicamente incorreto dizer, pois apenas duas raças possuem origem belga e podem, de fato, ser chamadas dessa maneira. São elas: “Bossu Belga” e “Malinois”.

Manejo básico

Os canários podem viver até dez anos. Não se constitui regra a limitação de dez anos de vida, pois temos relatos de canários que viveram o dobro da expectativa citada. Contudo, para que isso seja possível, é preciso realizar um manejo correto. 

Canários são pássaros de fácil manejo alimentar e de higiene.

Com minha experiência de 13 anos de criação, concluí que não precisamos exagerar na dieta dos canários, podendo acarretar desbalanceamento nutricional. A minha recomendação de dieta diária é: mistura de sementes balanceada, farinhada que já contenha ovo, grit mineral (conjunto de compostos minerais) e água limpa (devendo ser trocada todos os dias). Essa dieta dispensa frutas, legumes e verduras, uma vez que é completa e balanceada.

Quanto à higiene, recomenda-se que se mantenha a gaiola limpa, trocando regularmente o papel de fundo da gaiola, higienizando e desinfetando os poleiros e utensílios (manejo recomendado há cada 15 dias).

Local

Canários devem ser criados em local limpo, onde haja boa iluminação e troca de ar. Em regra, criadores reservam um cômodo para abrigar os canários, sendo esse local chamado de “canaril” (ambiente com o mínimo de estresse possível, sem inserção de outras espécies).

Esse mesmo cuidado vale para os lojistas, que deverão colocar os canários em um ambiente iluminado, com boa troca de ar e evitar superpopulação nas gaiolas, além de analisar a sanidade de cada canário antes de o colocar junto aos demais, evitando proliferação de doenças. Além disso, para comercializar canários em sua loja busque por criadores éticos, atenciosos e solícitos, que sejam registrados em federações e clubes de sua região.

Foto: Reprodução/ninhodocanario.blogspot.com

Muda, descanso e reprodução

Na criação de canários temos três períodos: muda, descanso e reprodução. O período de muda se refere à troca de penas, processo natural das aves, ocorrida, em regra, uma vez por ano. Nesse período de renovação de penas os canários ficam mais debilitados, devendo o criador ter extrema atenção à dieta, higiene e a incidência de mínimo estresse no local onde estão abrigados os pássaros.

Subsequente ao período de muda temos o período de descanso, onde os canários se renovam, ficando mais dispostos, se preparando para a reprodução.

No período de reprodução, os criadores analisam machos e fêmeas, por meio de seus aparelhos reprodutores, avaliando se devem ou não unir os casais. 

Apesar de não ser regra, já que canários não são robôs, no Brasil temos uma divisão dos referidos períodos por meses (padronizados pela literatura), sendo que, o período de muda se daria de janeiro à abril; o período de descanso de maio à julho e o período de reprodução de agosto à dezembro. Contudo, podem haver mudanças nesse calendário em decorrência de imprevistos como variação climática, incidência de doenças nos pássaros, etc.

A literatura recomenda que se adquira canários no período de descanso, uma vez que, em tese, estarão com as penas renovadas e mais ativos. Contudo, entendo que, confiando-se no criador, poderão adquirir aves em qualquer período do ano.


Por SAMUEL VALENTIM
Natural de Belo Horizonte-MG, advogado, canaricultor desde 2007, Presidente do clube Criadores de Canários Unidos do Brasil (CCUB), é proprietário do Canaril Valentim e responsável pelo canal, no Youtube, Samuel Valentim Canário. WhatsApp: (31) 98622-1546/ E-mail: samuadv@yahoo.com.br/ Facebook: Samuel Valentim e Canaril Valentim/ Instagram: @samuelvalentimcanario


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