Alimentação De peixes: Cuidados essenciais

Antes de adquirir qualquer espécie, pergunte-se – “Do que e como esse peixe se alimenta na natureza?” – Foto: Andrey Nikitin/iStockphoto.com

Saber o tipo de alimento que é mais adequado para a espécie que se tem na loja afeta diretamente na saúde do animal 

Em nosso planeta existem mais de 20.000 espécies de peixes, entre animais marinhos e dulcícolas (água doce). Essas espécies ocupam os mais diversos ambientes aquáticos, entre rios, riachos, lagos, lagoas, estuários, recifes de corais e oceanos abertos. Através de milhões de anos cada indivíduo evoluiu e se adaptou de acordo com a disponibilidade de alimentos fornecida e encontrada no meio, fazendo com que os espécimes adaptados nessa longa trajetória modificassem sua estrutura morfológica (formato do corpo), como aparelho bucal e órgãos digestórios. Baseado nessa informação, os peixes podem expressar os mais distintos hábitos alimentares, mas de forma bem superficial, podemos dizer que essas espécies podem ser: carnívoras – indivíduo que se alimenta de outros animais; herbívoras – os que se alimentam de algas e plantas aquáticas; e onívoras – os que comem ambos os tipos de alimentos. Porém, só falar do hábito alimentar não basta. Outro fator importante é a profundidade que o animal obtém seu alimento. É comum que peixes que se alimentam exclusivamente na superfície da água, o aparelho bucal seja direcionado para cima. O contrário também ocorre para os peixes de fundo ou abissais. Isso não é uma regra, porém a afirmação é tendenciosa.

A alimentação dos peixes deve ser frequente (de duas a três vezes ao dia), mas cuidado, o excesso é extremamente prejudicial – Foto: M-Production/iStockphoto.com

Peixes em cativeiro

Quando o Homem iniciou a criação de peixes em cativeiro, esses animais eram mantidos para fins de produção, ou seja, destinados à nossa alimentação. Atualmente esse tipo de cultura é chamado de psicultura. Na época, um dos desafios era como alimentar esses animais já que não existiam rações específicas para peixes. A solução foi fornecer subprodutos como resíduos de alimentos de outros animais como porcos, gados e frangos. Obviamente, poucas espécies de peixes se adaptaram. O tempo passou e o Homem começou a enxergar os peixes com outra percepção. Um dos primeiros povos a criar peixes ornamentais foram os chineses, que mantinham as carpas e kinguios no intuito de embelezar os lagos artificiais dos impérios. Com o tempo o Homem foi observando o comportamento de cada espécie e adaptando a sua dieta. Outro peixe famoso e muito antigo na história, é o betta. Agricultores tailandeses pegavam esses animais e os criavam em potes com água e, basicamente, os bettas eram alimentados com larvas de insetos. “Isso não é ruim, pois era exatamente o que essa espécie se alimentava no meio natural”. Portanto, antes de adquirir qualquer espécie, pergunte-se – “Do que e como esse peixe se alimenta na natureza?”. Pesquise e estude, sempre!

Alimentação correta

Uma das formas de obter sucesso e ter peixes saudáveis em um aquário é através da alimentação correta, não só a qualidade nutricional, mas também é importante entender qual o tipo de ração ou alimento a espécie aceita. Existem rações generalista, mas, quanto mais específica para cada espécie melhor. Como dito anteriormente, na hora de comprar a ração  para o seu peixe dois aspectos pedem atenção: 1º – o hábito alimentar (carnívoro, herbívoro e onívoro); e o 2º – qual profundidade o peixe se alimenta. A maioria das rações de peixes são extrusadas. Esse processo de preparo de alimentos é feito através de um maquinário específico chamado de extrusora, que permite especialistas da área desenvolverem diferentes estruturas, tamanhos e composição específica. Assim, podemos classificar as rações da seguinte forma:

Flocos: Esse tipo de alimento se assemelha a um papel, são muito leves. Podemos dizer que são as rações mais tradicionais no mundo do aquarismo. Os alimentos floculados são indicados para espécies de pequeno porte que se alimentam na superfície da água, como paulistinha, barbo, tetra, peixes da família poecilidae, entre outros. 

Granulado: As rações granuladas são mais densas comparadas aos flocos. Geralmente, esse tipo de ração fica alguns segundos na superfície da água e afunda lentamente, isso depende da marca. Muitas espécies aceitam bem o granulado, já que ao afundar passa praticamente em todos os níveis do aquário (superfície, meia água e fundo). Mas a principal recomendação deste tipo de ração são para os peixes que se alimentam na meia água, como: bandeira, disco, ramirezi, papilocromes e alguns peixes marinhos.

Pastilhas ou comprimidos: Essas rações afundam assim que entram em contato com a água, como as outras. Também é possível encontrar rações com o formato de comprimidos destinadas para peixes carnívoros ou herbívoros. Elas normalmente são grandes comparadas ao granulado e os flocos e demoram mais para se decompor, pois, normalmente, quem come este tipo de alimento são os peixes de fundo, como: cascudos, corydoras, bagres e botias. Outro ponto importante é o horário que essas rações são fornecidas, já que a maioria dos peixes de fundo possui atividade noturna.

Stick: As rações em forma de sticks são recomendadas para peixes de médio e grande porte que se alimentam na superfície da água. As espécies que melhor aceitam os sticks são as carpas, os grandes ciclídeos, pacú, aruanã, entre outras.

Alimento natural

Como dito, boa parte das espécies ornamentais aceitam bem ração, porém, existem algumas que não aceitam alimentos industrializados, principalmente as que são capturadas na Natureza, aí a saída é partir para o alimento natural. Geralmente são as espécies mais difíceis de se manter no aquário, mas podemos tentar. Para peixes carnívoros de grande porte é possível fornecer pequenos peixes ou mesmo camarão, vivos ou mortos. Para as espécies de pequeno porte carnívoras ou onívoras é interessante fornecer pequenos crustáceos e insetos, como artêmia salina, blood worms, tubifex e tenébrio. Há também receitas indicadas por criadores, como os patês, que são excelentes para discos selvagens que dificilmente comem rações. Quanto aos peixes herbívoros podemos fornecer pepino ou abobrinha (indicado para cascudos), ervilha sem casca, nori (a mesma alga utilizada para fazer o Temaki). Mesmo alguns peixes pegando bem a ração, é recomendado diversificar a alimentação com esses alimentos a fim de complementar a dieta.

Manejo diário

A alimentação dos peixes deve ser frequente (de duas a três vezes ao dia), mas cuidado, o excesso é extremamente prejudicial para todos os habitantes do aquário. Qualquer sobra, através da decomposição por bactérias, rapidamente será convertida em amônia (elemento tóxico aos peixes) e implicará na saúde dos animais. Neste caso, retire o excesso assim que você observar que os peixes não comeram o alimento, através de uma pequena troca de água (TPA). 

Tenho certeza de que com essas dicas os peixes de seus clientes ficarão muito mais saudáveis e bonitos. 

Lembre-se, muita atenção com as características de cada espécie!


TIAGO CALIL
Especialista em manejo de animais silvestres, tendo mais de 15 anos de experiência nas áreas de aquarismo, aves exóticas e pequenos roedores. Também atua há 10 anos na área de Educação Corporativa e na capacitação dos colaboradores da Cobasi
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