quinta-feira, maio 30, 2024
Atualidades

Incentivo à pesquisa: uma fonte de ouro para a indústria

Conheça algumas ações do mercado que são realizadas por diferentes players

As pesquisas na área de saúde animal são matéria-prima básica para o fomento e lançamentos de novidades em todos os setores veterinários, principalmente os que envolvem a nutrição e a saúde dos animais. Por i’sso, a indústria pet como um todo se empenha no fomento dessa área, seja através de prêmios, investimentos, etc. A seguir, veja algumas iniciativas. 

“Nosso prêmio já está no radar dos professores universitários como uma opção de publicação dos alunos da graduação e pós, e isso é muito gratificante para nós”

Natália Miranda, do Grupo Top.Co.

Prêmio Científico

A editora Top.Co., no setor editorial pet há mais de 20 anos, é responsável pelo Prêmio Científico, premiação realizada durante o Congresso Vet em Foco (antigo Vet Science), cuja organização é feita pelo Instituto Brasileiro de Veterinária (IBVET) e tem como coordenadora geral a Prof. Aline Zoppa, da Anhembi-Morumbi. “Nosso prêmio teve início em 2018, junto com a feira SuperPet, e resistiu a uma pandemia. Então, conseguir consolidar um prêmio científico diante desse desafio mostra o quanto inciativas que incentivam a pesquisa na área veterinária são valorizadas pela categoria. Nosso prêmio já está no radar dos professores universitários como uma opção de publicação dos alunos da graduação e pós, e isso é muito gratificante para nós”, comenta Natália Miranda, diretora do Grupo Top.Co. e idealizadora do Prêmio Científico, que premia os veterinários em dinheiro (são mais de R$ 15.000 em prêmios) nas seguintes categorias: A (Trabalho Científico); B (Trabalhos de Residentes/Pós-graduação Lato Sensu) e C (Trabalhos Iniciantes). Saiba mais em: congressovetemfoco.com.br/premio-cientifico

“O CDN e CEPEN pet, juntos, contribuem com a publicação de mais de 10 artigos em periódicos internacionais ao ano”

Flavio Lopes da Silva, da PremieRpet®

CDN, CEPEN pet e Prêmio de Pesquisa

A PremieRpet® realiza investimentos permanentes em pesquisa fomentando a inovação e o crescimento do setor veterinário, segundo nos conta Flavio Lopes da Silva, supervisor de capacitação técnico-científica da empresa. “São diversas iniciativas que incluem parcerias com as principais universidades brasileiras, o financiamento de pesquisas nessas universidades, realização de eventos científicos, investimentos no Centro de Desenvolvimento Nutricional (CDN), dentro do parque fabril da PremieRpet®, e no Centro de Pesquisas na FMVZ/USP de Pirassununga (CEPEN pet), que consolida a maior parceria público-privada do segmento. Anualmente, o CEPEN pet forma mestrandos e doutorandos que se dedicam ao conhecimento de nutrição pet”, revela Flavio. Além dessas iniciativas, há 8 anos, a empresa realiza o Prêmio de Pesquisa PremieRpet. “Profissionais e alunos de graduação e pós-graduação em medicina veterinária e zootecnia podem se inscrever sob a orientação de um profissional de livre escolha. A premiação contempla três melhores trabalhos que podem ser de diferentes formatos: revisão bibliográfica, relato de caso ou relato científico sobre nutrição de cães e gatos. Todos os inscritos são avaliados por uma comissão julgadora formada por profissionais do CDN da PremieRpet®, além de especialistas convidados. A metodologia utilizada garante o anonimato dos candidatos em todas as etapas da avaliação”, explica o médico-veterinário. Os três trabalhos vencedores no Prêmio são divulgados e distribuídos para a comunidade veterinária nacional e todos os outros trabalhos e pesquisadores são compartilhados internamente na empresa, que faz uso desse material em treinamentos, debates e apresentações. “Os orientados e orientadores vencedores do Prêmio são contemplados com participações em eventos internacionais e nacionais do segmento veterinário, entre outros prêmios, como leitores de livros digitais”, complementa Flavio, que destaca os avanços que a empresa obteve por meio de pesquisa, além da grande contribuição científica. “Análises de curvas de crescimento saudável de um filhote, avaliações de controle de pH urinário em gatos e digestibilidade dos alimentos são algumas das principais pesquisas que são realizadas em nosso CDN. Somam-se a elas pesquisas sobre como a nutrição pode melhorar a vida de animais enfermos. Um exemplo é a tese de mestrado do Dr. Fabio Alves Teixeira, sob orientação do Prof. Dr. Marcio Brunetto, que contribuiu para o desenvolvimento do alimento coadjuvante PremieR Nutrição Clínica Diabetes Cães. Outro exemplo, é o trabalho do Prof. Dr. Thiago Vendramini, sob orientação do Prof. Dr. Marcio Brunetto, conseguiu demonstrar no seu doutorado que com o uso do alimento coadjuvante PremieR Nutrição Clínica Obesidade Cães, os animais emagreceram saudáveis, pois não perderam massa muscular relevante e, ainda por cima, com um aumento considerável da imunidade. Essas duas teses foram finalizadas e publicadas em periódicos internacionais”, descreve.

A PremieRpet, através do Instituto PremieRpet®, criado em 2013, também apoia e financia pesquisas sobre diversos temas da Medicina Veterinária e Zootecnia. “Entre as diversas iniciativas está o Projeto de Apoio à Pesquisa, que financia bolsas de estudo, projetos de iniciação científica, residência, mestrado, doutorado e pós-doutorado”, finaliza Flavio.

“O instituto Waltham possui ações de apoio à pesquisa em vários países. Atua como uma importante autoridade científica no desenvolvimento das fronteiras de pesquisa sobre a saúde de animais de estimação”

Natália Lopes, da Royal Canin Brasil

Prêmio Waltham

Segundo Natália Lopes, médica-veterinária e Gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da Royal Canin Brasil, a empresa apoia universidades, associações de classes e pesquisadores que fomentem o desenvolvimento de estudos relacionados à nutrição pet, à clínica e bem-estar animal. “O instituto Waltham nasceu na Inglaterra há 50 anos e contribui para o desenvolvimento de produtos, tanto da Royal Canin® quanto em Mars Pet Nutrition. Atua como uma importante autoridade científica no desenvolvimento das fronteiras de pesquisa sobre a saúde de animais de estimação e faz parte da Mars, Incorporated. A Royal Canin® também tem o próprio centro de desenvolvimento na França. Então, também contamos com equipe de desenvolvimento, de matérias-primas, temos gatil e canil, além de laboratórios”, explica Natália, que aponta quatro pilares que dividem as principais pesquisas do centro: “Níveis de nutrientes essenciais que os animais de estimação precisam à medida que crescem e envelhecem; Como digerem e metabolizam os nutrientes; Como e do que sentem o gosto e o cheiro; e Como a relação entre humanos e pets enriquece a vida. Entre as pesquisas mais recentes, vale destacar uma feita sobre controle de peso, além de outras sobre biomarcadores e microbiota, genética, ciência dos dados e o uso da inteligência artificial aliada à saúde e ciência sensorial”, acrescenta.

No Brasil uma das iniciativas da marca é o Prêmio Waltham, realizado há mais de 5 anos. “O Prêmio é oferecido pelo Congresso CBNA Pet e os estudantes de medicina-veterinária podem inscrever seus projetos por meio do site do Congresso Brasileiro de Nutrição Animal. Os projetos devem estar relacionados à nutrição e a escolha do vencedor se dá da seguinte forma: 80% da nota final advém de uma pontuação média dada pelos avaliadores, que englobam a importância científica e tecnológica da pesquisa, a qualidade geral do texto, o caráter inovador científico e tecnológico e a complexidade do assunto. Dessa média se classificam as 3 melhores pontuações que seguem para a apresentação oral; 20% da nota final advêm da avaliação oral (3 finalistas que apresentam no Congresso), e contemplam a clareza na exposição do assunto, capacidade argumentativa e domínio do tema e a qualidade do material audiovisual”, detalha.

“Recentemente lançamos o iUSE SABER, uma plataforma de conteúdos aberta a clientes, colaboradores, parceiros, para compartilhamento de conhecimento técnico e de gestão”

Milenni Garcia Michels, da Ourofino Pet

Inovação aberta

Milenni Garcia Michels, gerente de novos negócios, conta que a Ourofino Pet está alinhada com o conceito de Inovação Aberta, desenvolvendo vários tipos de parcerias que envolvem pesquisa, tanto para o co-desenvolvimento de novos produtos, licenciamento de tecnologia ou para condução de estudos clínicos. “Esses tipos de parceria dependem do tipo de projeto e/ou demanda da empresa. Envolvem universidades públicas ou privadas, centros de pesquisa públicos e privados, e empresas de diferentes portes. Grande parte das parcerias envolvem, inclusive, bolsas de incentivo aos estudantes/participantes e os parceiros têm a possibilidade de execução das ações em nossas instalações”, detalha. A Ourofino Pet não promove um prêmio anual, mas participa, pontualmente, de alguns programas de incentivo à pesquisa desse gênero. “Há 14 anos temos o PIAC (Programa de Incentivo ao Aperfeiçoamento Clínico) que tem abrangência inclusive em México e Colômbia. É um programa que estimula o envio de relatos de casos clínicos onde, os dois melhores relatos de casos com uso de produtos da linha Pet, são premiados. Os prêmios são destinados às Universidades, aos professores orientadores e aos dois alunos (autores principais) de dois relatos vencedores anualmente”, exemplifica Milenni. “Também temos uma política de incentivo a inventores na empresa, onde além da inclusão dos colaboradores como inventores nas patentes a que participaram do processo inventivo, recebem também uma premiação em dinheiro”, acrescenta. Ainda segundo Milenni, a Ourofino Pet tem seu próprio Departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, e sempre investiu em parcerias e pesquisa para obter novos produtos e produtos inovadores. “Recentemente ainda lançamos o iUSE SABER, uma plataforma de conteúdos aberta a clientes, colaboradores, parceiros, para compartilhamento de conhecimento técnico e de gestão”, ressalta a médica-veterinária, que dá exemplos de produtos que são resultado dessa política da empresa. “O mais inovador recentemente lançado é o NEOSTEM, a base de células-tronco, fruto da aquisição da Regenera e que agora está gerando novas parcerias para a continuidade das pesquisas com o produto para novas indicações. Também temos o EVOL, um antiparasitário cuja formulação é patente da empresa, desenvolvido fruto de um desafio técnico lançado aos colaboradores quanto a estabilidade de dois ativos que gerassem aumento de eficácia à campo. Na linha de antiparasitários, temos alguns produtos com embalagens exclusivas e protegidas por Desenho Industrial, fruto de parceria com fornecedores de materiais, para ampliar a performance do produto a campo quanto a facilidade de aplicação, acuracidade de dosagem”, lista.

“Participamos na co-criação do teste rápido para detecção da esporotricose, em conceito Point of Care testing (PoCT), que permite o diagnóstico em 15 minutos. A startup BiDiagnostic, é detentora da tecnologia”

Fabio Demétrio, da Merck

Testes rápidos na veterinária

Embora não seja uma empresa que tenha uma divisão na área de Saúde Animal, a divisão de Life Science da Merck, como líder mundial no fornecimento de matérias-primas para produção e desenvolvimento de testes rápidos, tem impactado no setor veterinário. “Participamos na co-criação do teste rápido para detecção da esporotricose, em conceito Point of Care testing (PoCT), o teste no ponto de atendimento. “A tecnologia permite o diagnóstico em 15 minutos, permitindo uma triagem dos felinos com suspeita de esporotricose em menos tempo e de forma simplificada, e foi desenvolvida em parceria com a startup BiDiagnostic, detentora da tecnologia”, explica Fabio Demétrio, Head de Science & Lab Solutions da divisão de Life Science da Merck. “A principal expectativa para o futuro é que este exame aumente o acesso aos diagnósticos de zoonoses e seu controle sanitário, já que a doença tem grande impacto no país devido à sua alta incidência e potencial pandêmico”, acrescenta. Ainda segundo Fabio, a solução é fruto de uma importante aliança estratégica com a Universidade Federal de Goiás (UFG), anunciada em setembro de 2021, para viabilizar a implementação de um Centro de Inovação em Tecnologia para prototipagem e treinamento de testes diagnósticos rápidos. “O espaço é o primeiro no Brasil a unir, no mesmo local, técnicas de biologia molecular, testes rápidos por imunocromatografia de fluxo lateral e biossensores eletroquímicos. O projeto visa fortalecer a capacidade produtiva da indústria e sua independência tecnológica, por meio da geração de mão de obra especializada e testes rápidos de interesse do mercado, contribuindo assim para o controle de endemias e questões relacionadas à saúde humana, animal e agricultura no Brasil”, detalha. Além de recursos financeiros, Fabio explica que a colaboração com a UFG envolve a doação de equipamentos e a contribuição técnico-científica para o desenvolvimento profissional e de projetos no Centro de Inovação em Tecnologia, ajudando na ampliação das fases de Pesquisa & Desenvolvimento para identificação do ciclo de vida das tecnologias dedicadas à execução de testes diagnósticos rápidos, não apenas para a saúde humana e animal como também em necessidades da agricultura. “O Instituto de Química da Universidade, o qual temos parceria direta, conta com dois laboratórios que participam deste projeto, complementando as principais tecnologias de testes de diagnóstico rápido disponíveis”, finaliza.

PARCERIAS EM PESQUISA

Em 2021, a Boehringer Ingelheim (BI) investiu 4,1 bilhões de euros em Pesquisa & Desenvolvimento, de acordo com o annual report da empresa. Desse total, 416 milhões de euros foram destinados à Saúde Animal. Em 2021, A BI global anunciou uma parceria com a Lifebit Biotech, que envolve o uso de Inteligência Artificial (IA) como meio para detecção e notificação antecipada de surtos de zoonoses usando dados coletados de publicações científicas e pesquisas de fontes abertas. Utilizando a plataforma Lifebit REAL, os insights sobre os surtos de doenças infecciosas mais recentes permitem que os esforços de pesquisa e desenvolvimento sejam priorizados. E em 2022, A BI anunciou parceria com a MabGenesis, biofarmacêutica em Yokohama, no Japão, para descobrir e desenvolver novos anticorpos monoclonais para potenciais tratamentos terapêuticos em cães.


Por Samia Malas