quinta-feira, maio 30, 2024
Administração

Exportação para a Alemanha: por onde começar?

Foto: br.freepik

Europa tem sido visada por empresas do setor pet e país é uma das portas de entrada

Mesmo durante a pandemia, as exportações brasileiras vêm demonstrando crescimento, grande parte por conta do câmbio favorável. Além disso, nesse período de incertezas e instabilidade econômica por que passa o Brasil, o mercado externo se torna, cada vez mais, uma opção almejada para os empresários locais expandirem a viabilidade e a saúde de seus negócios.

Segundo o site Portal da Indústria, 65% são das exportações brasileiras foram para a China, União Europeia, Estados Unidos, Mercosul e Japão. Assim, a União Europeia é o segundo mercado externo mais relevante para o Brasil. “A Alemanha é o coração econômico da Europa, e é porta de entrada para esse mercado tão almejado. É um ótimo lugar para iniciar as operações comerciais de uma empresa no continente. A barreira do idioma pode assustar, mas essa é uma dificuldade que ajudamos a enfrentar com a nossa consultoria”, aponta Adriane Rössler, fundadora da consultoria internacional AR Konsili.

Case Animalplast

Internacionalizar um negócio vai muito além de colocar um produto na caixa e despachar para outro país. Há uma série de burocracias a serem cumpridas, legislações específicas para se seguir em cada localidade, além dos trâmites legais aqui mesmo no Brasil. Viabilidade econômica, parte logística, abertura da empresa, aspectos legais e jurídico, são alguns dos caminhos que precisam ser seguidos para a abertura da empresa na Europa. A Animalplast, produtora e distribuidora de artigos para o segmento pet, vivenciou essa experiência quando, no fim de 2020, decidiu ampliar suas operações para o continente europeu. Com perfil familiar e quase 10 anos de atuação, a empresa tinha vendas consolidadas no mercado norte-americano, através de um famoso marketplace. Foi quando uma das sócias se mudou para a Alemanha que surgiu a ideia de expandir também para a Europa. “Temos uma experiência muito bem-sucedida no Brasil com vendas on-line. Em nossa loja virtual comercializamos tanto os artigos que produzimos, como produtos de terceiros. Por conta do sucesso dessa operação, pensamos em algo semelhante para nossa presença na Europa”, disse Paulo Penna Firme Curto, diretor da Animalplast. Para concretizar esse projeto, Paulo e sua irmã, Andrea Curto, contaram com o suporte da consultora Adriane. “Fechamos um primeiro acordo com a AR Konsili para darmos o pontapé inicial, fazer o levantamento de mercado, ver questões legais, de estrutura, implicações tributárias e para levantar subsídios sob diferentes óticas, até chegarmos à abertura da empresa e a validação de processos”, completou. “Inicialmente montamos um projeto que chamamos de operacional e estratégico, definindo aspectos logísticos, de legislação e qual o formato que a operação precisaria ter para atingir os objetivos definidos pelos empresários”, comentou Adriane. Os primeiros contatos entre a Animalplast e a AR Konsili foram no fim de 2020 e todo o processo da consultoria internacional aconteceu durante o ano de 2021, desde a prospecção, concretização do projeto até chegar à abertura da empresa. “Nesse ano avaliamos a viabilidade econômica, parte logística, abrimos a empresa, desenvolvemos nosso site de comércio eletrônico, ajustamos aspectos legais e jurídicos”, conta Paulo.

A atuação da AR Konsili se dividiu em três partes: um estudo preliminar; a avaliação de viabilidade e de processos de exportação e a abertura da empresa na Alemanha. O primeiro embarque da Animalplast foi enviado à Europa em fevereiro de 2022. A distribuidora brasileira envia os produtos para a filial alemã que vai vendê-los através da plataforma eletrônica, tanto no atacado, como no varejo. “E no futuro também podemos nomear alguns atacadistas para distribuir produtos em lojas físicas”, anima-se Andrea Curto. Para os próximos anos, em função de questões cambiais e do tamanho do mercado europeu, a previsão é de que a operação alemã passe a ter uma unidade atacadista no país atendendo distribuidores, lojas físicas e o e-commerce próprio, passando a representar até 50% do faturamento da, agora multinacional, Animalplast.

Particularidades da exportação alemã

Adriane aponta que para iniciar exportações para a Alemanha, não é preciso ter uma filial no sentido de pessoa jurídica. “Pode ser uma filial, uma empresa independente, ter um contrato com um revendedor local que vai importar e revender o produto. Um suporte jurídico é essencial para esse planejamento. Podemos citar três pontos principais: custo, risco e obrigações que a empresa terá no país”, ensina. Além disso, ela também cita particularidades importantes para conseguir construir um relacionamento comercial na Alemanha:

• “Preparo – estar preparado para uma negociação profissional. Ter uma boa apresentação do produto. Antecedência no preparo do material e cumprimento das agendas. O país é muito rigoroso com essas questões.

• Ter domínio da língua ou algum porta-voz que tenha – é surpreendente a parcela da população alemã que evita falar o inglês.

• Cultura do povo alemão – uma característica muito forte do povo alemão é a aversão a riscos, são muito cuidadosos com os investimentos e demoram para comprar uma ideia nova.

• Alta qualidade – o produto, precisa ter uma boa qualidade.”


5 dicas para quem quer EXPANDIR MERCADOS

1. FLUXO DE CAIXA: a expansão internacional demanda recursos. Há questões jurídicas, tributárias e operacionais a serem levadas em conta. É preciso, de saída, levantar o quanto se vai gastar e tem para investir.

2. RADAR: essa sigla é o Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros e é o primeiro passo para quem deseja comprar ou vender do exterior. Existem diferentes modalidades dessa habilitação, dependendo do tipo de operação. A forma mais comum para MPEs é a chamada “Habilitação Simplificada”. 

3. ANÁLISE: estudo sobre o mercado alvo, da cultura e do consumo. Será que o produto da forma atual agrada ao gosto lá fora? Quem são os concorrentes e os clientes? O mercado sustenta mais um vendedor? Qual o preço a ser exercido lá fora e qual é o mark-up do seu segmento? 

4. JURÍDICO E TRIBUTÁRIO: tenha advogados, contadores e consultores, pois é preciso conhecimento básico jurídico e tributário.

5. ORGANIZAÇÃO: é fundamental ter uma estrutura interna estabelecida, pessoas designadas para cuidar dos clientes internacionais e que falem outras línguas (inglês ao menos).

 


Por Samia Malas

Agradecimento: Adriane Rössler

Com formação em Economia e Administração, aliada à experiência profissional internacional, a empresária fundou a AR Konsili.

www.arkonsili.com